Roseana Murray Um gato marinheiro il. Elisabeth Teixeira DCL, 2004 24 pp. Numa tarde de chuva, o menino se chateia olhando lá fora o céu que chora. Do lado dele, Babel, o gato, apenas contempla as gotas de cinza e prata, pois essa é a natureza dos gatos: não se chatear. Até que... Então, Pepe inventa brincar de pirata em um navio feito com três almofadas e lençol estendido por vela. E o gato, que agora é marinheiro-conselheiro, acompanha tudo concentrado, pensando no sol, estrelas do mar e saborosas sardinhas. Transformando o dia tristonho do menino, Roseana Murray narra uma história de reinações com a poesia das coisas simples. Pepe imagina chegar a uma ilha cheia de cores onde vai pilhar nuvens e um pouquinho de vento, roubar o azul do mar que encontra o firmamento, grãos brancos de areia. Mas, o que ele não desconfia são os sonhos de Babel com deliciosas sardinhas... A brincadeira continua: mal vêem eles que a chuva parou. Mas já é noite e o menino olha a lua, conspirando uma nova brincadeira, uma nave espacial... O charme desta breve narrativa está na focalização subjetiva com que o texto ilumina Babel, o gato marinheiro, que sempre diz “sim” com seus bigodes às idéias de Pepe. Nas ilustrações, Elisabeth Teixeira deu cores ensolaradas à sala, o piso como feito de areia e as paredes verdejantes mimetizam o cenário imaginado, embora sempre permaneçam os contornos da realidade — sofá, almofadas, plantas nos vasos, a chuva do outro lado da janela. Apenas no clímax da brincadeira (ou anticlímax, pela perspectiva felina), a fantasia do desenho invade a dupla-página do livro, com peixes que passeiam na parede de águas cristalinas. No jogo palavra&imagem, só em pensamento, deliciosas sardinhas! |
| |||
|