Roseana Murray No cais do primeiro amor il. cerâmicas de Evelyn Kligerman Larousse, 2007 40 pp. Auroras, mistérios, ilhas solitárias — e a palavra poética de Roseana Murray flutua com os sentimentos que o tempo condensou entre cheiros e nuvens. Como vindo na ponta dos pés, o eu-lírico inventa-se amante e inventa sentimentos para espiá-los com a maturidade da escrita — mas, há o frescor, um frescor no conjunto destes poemas, uma aragem de variações sobre o mesmo tema que os anos não apagaram... Ah, o amor é afinal sempre o mesmo amor! Ou, quando o amor é jovem, sofre mais o tempo de espera, como promessa e véspera? Roseana revela para o leitor o cais do primeiro amor em um país distante onde sopram os ventos do começo do mundo... E é como se fosse preciso criar novamente todas as coisas belas para iludir qualquer desilusão, afastar o fastio, amar mais intensamente o amado, através de metáforas, atrás das metáforas. Ah, o amor! Os olhos não vêem, voam. Abelhas sussurram. O vento afaga a pele de quem ama, depois de o fogo de uma paixão ter nela inscrito seu nome. E os versos de Roseana Murray falam igualmente da sensualidade que desperta de cada pensamento: morangos que se desmancham na boca, a leitura do próprio corpo nas mãos do amado, o desejo de fazê-lo barco, carta, lago... Ai, o amor — e seus mo(vi)mentos! |
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