Jean-Pierre Siméon Isto é um poema que cura os peixes trad. Ruy Proença il. Olivier Tallec Edições SM, 2007 48 pp. Quentinho como pão que sai do forno, exalando no ar o cheiro de fartura e promessa de sabor, é assim que me chegou às mãos este livro que seduz de imediato o leitor, parecendo-me que, ao virar as páginas, as palavras saem ao vento para respirar e acenam ao leitor convidando-o para a continuidade da leitura. Onde se esconde o poema com suas teias de rendas invisíveis? Abriga-se o poema nas coisas do dia-a-dia? Que poderes tais tem a palavra poética de nos enredar e seduzir? O poema cura? Walter Benjamin, em seu texto "O conto cura", tece considerações sobre a cura através da audição de narrativas, e eu me pergunto: teria a palavra poética o poder curativo, impedindo alguém de morrer de tristeza?! Esta é a procura do menino Artur que busca, na poesia, a cura para o seu peixe Léo. A procura pela palavra curativa leva o menino a interrogar sobre a existência do poema e, de imediato, transporta o leitor ao mundo quimérico das palavras encantadas, tecidas pelo fio imemorial da sabedoria das coisas mais simples, com a sensibilidade daqueles que encontram a poesia nas esquinas da vida. Dos inusitados lugares da procura — armário da cozinha, armário de vassouras, na padaria —, ao questionamento às pessoas — o vendedor de bicicletas, o velho que rega as plantas no jardim, o canarinho Aristófanes, vovó e vovô — cada qual, do seu modo, conceitua o que seria o poema — e adivinha no que deu? Ao leitor curioso recomendo este livro — e a descoberta do como é imprevisível a poesia! |
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