Cantigas de amor 
 Elias José



Elias José
Cantigas de amor

il. Andrea Corbani
Larousse, 2006
32 pp.


Ah, amor... novamente!
Amor que o poeta inventa
como garoto pensador —
como quem tem mil planos terríveis e infalíveis (de poesia) para falar o que ainda não descobriu, mas sente. Um eu-lírico que não sabe mais o que dizer, contudo vê as meninas dos olhos da menina e escreve sensações: a cabeça viaja, /
as asas brotam, / o corpo flutua, as mãos tocam as nuvens...
E, neste céu pessoal, a certeza de que o mundo em volta exala mais cheiros, som de valsa, sabores doces...

Se os garotos pudessem, talvez virassem mar
para acariciar o corpo de suas marinas, embalando ondas
de inauditas músicas — sonetos, madrigais, ais — que venham inaugurar rostos e seios. De certo, apenas a poesia seria instrumento para refrear a estranha língua da linguagem amorosa, como na forma de antigas cantigas que
Elias José retoma. Daí a presença de versos paralelos, refrões e ritornelos que instalam, nos textos, algumas figurações rítmico-melódicas, principalmente nos mais extensos quanto ao número de estrofes e sílabas métricas. Até mesmo poderíamos eleger a flauta e a percussão para comparar, em boa parte destes poemas, o que é a suavidade dos temas e das palavras, o que é o compasso dado por diferentes recursos de repetição, como neste fragmento:

Garota, bela garota,
sou todo teu escravo
e te envio rosas
e te envio cravos,
mas, sorrindo, mal me olhas.

O antigo sentimento moderniza-se, não completamente
na voz e em suas pausas — apenas nas palavras que escolhe e nos ritmos inconstantes dos versos, como na vida.
Ah, o amor, em versos que dizem livres!

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



EXPERIÊNCIA

Eis um fato:
afeto nunca afeta.
Afago nunca afoga.

Afeto e afago
nunca ferem.

No afeito e no afago,
o amor aflora
e filgura e fica
e pacifica
o calmo
e o aflito.



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