Elias José Pequeno dicionário poético-humorístico ilustrado il. Elisabeth Teixeira Paulinas, 2006 112 pp. Em versos livres, Elias José inventa seu próprio dicionário de palavras amadas, tão vizinhas do cotidiano e conhecidas pelas crianças, para soprar-lhes o alento de sua imaginação e sensibilidade. Vai assim despertando nas palavras as emoções de sua própria experiência (reinações do plural sobre o singular), compartilhando com os leitores as cores e as formas que vê, o humor e as sonoridades que diverte, os sabores e os sonhos que encontra, os sentidos adormecidos que compõem seu discurso. Apresenta assim, o seu universo — “imenso verso” — de definições e usos para cada vocábulo: a palavra ÁGUA nasce, brota e se esparrama limpa e pura, BEIJA-FLOR é palavra que beija fundo e foge leve, CURIOSIDADE é uma palavra xereta... e assim vai, seguindo a ordem das letras como convém à sua casa-dicionário, até que descobrimos que a palavra XERETA está sempre doida, atrás de alguma porta, para ouvir segredos, e ZÁS-TRÁS é palavra com urgência, mais rápida que metrô e avião, que encontramos bem próxima do fim, quando o livro está para ser fechado. Mas, não: se formos atentos, compreenderemos que o dicionário poético não tem fim e bastará apenas fechar o livro para que se abram caminhos para novas invenções. “Já pensou como o mundo seria chato / parado, atrasado e feio / sem as INVENÇÕES?” Passando a bola, a lição, a peteca e a missão para frente, Elias José estendeu o convite — “imenso verso” para os leitores. Poeta que é, sabe como as palavras escondem-jogam e re-tecem segredos e significados. Resta a você também descobrir. E o que descubro nessa VIAGEM (palavra que leva a gente longe), no meio dos meus guardados, é O jogo das palavras mágicas, um livro de 1996, anterior a este pequeno dicionário. Sim, dez anos depois, somaram-se novos textos, e o antigo livro ficou mais poético-humorístico e ilustrado com as delicadas aquarelas de Elisabeth Teixeira que aludem, de modo unívoco, a alguma cena dos poemas. |
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