Valentina 
 Márcio Vassalo



Márcio Vassalo
Valentina

il. Suppa
Global, 2007
24 pp.


Uma princesa
com orelhas de abano: para escutar cochicho de nuvem. E pernas compridas: para pular até pensamento... Assim é Valentina, sempre sorridente e com óculos espichados para ver tudo o que acontecia à sua volta. Mas, o que ela não entendia era por que o rei e a rainha precisavam, todos os dias, tão antes do sol nascer, saírem do castelo para trabalhar. Eles explicavam que era tudo necessário para a princesa ser "alguém na vida" e, um dia, ela entenderia.

Vestindo a realidade com imagens de contos de fadas,
Márcio Vassalo busca oferecer aos leitores uma visão otimista da infância e da fantasia que une a todos, quando pequenos: não importa o cenário vivido, lares transformam-se em castelos para quem pode descobrir (e encantar-se com)
uma torre com escada enluarada pelos recantos do mundo.
E para magicar a linguagem, o texto encarrilha expressões adverbiais de lugar intensificadoras de distâncias e espaços, pois o castelo de Valetina ficava onde alguém possa imaginar, "na beira do longe, lá depois do bem alto".

Suppa dá a Valentina cor de café-com-leite, misturinha
que a menina é do pai branco e da mãe negra que aparecem como figuras reais no início do livro e, pelas últimas páginas, em um retrato de elegância familiar. A pequena princesa
tem coroa de papel, estampada de jornal, e uma saia de plástico transparente, drappeada com grampos metálicos, com três flores bordadas em linhas aplicadas.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Na curva do bem no fundo, naquele lugar, as meninas sonhavam em ser princesas.
Mas Valentina não queria ser princesa. Princesa ela já era onde quer que estivesse.
E ela ficava toda sorrida, sempre que descia junto com a rainha e o rei, e, lá de baixo, apontava onde os três moravam, no meio de um bocado de outros castelos, num morro do Rio de Janeiro, logo depois do mais longe de tudo. »


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