Azur & 'Asmar 
 Michel Ocelot



Michel Ocelot
Azur & 'Asmar

il. do autor
trad. Annita Costa
Edições SM, 2007
72 pp.



Dois jovens cavaleiros, elegantemente vestidos
e montados em esbeltos corcéis, partem em expedição para encontrar a Fada dos Djinns, mas apenas um deles poderá se casar com ela... Por isso, tão logo se dissipa
a Névoa da Invisibilidade, valioso presente da Princesa Chamsous-Sabah para despistarem
o séqüito que os perseguia,
cada um escolhe um caminho diferente.
Por desertos e raros oásis, antigas cidades e ruínas, eles seguem atentos, pois qualquer lugar mais ermo esconde seus próprios saqueadores e nenhuma emboscada pode surpreender os viajantes, retardando-lhes a marcha...
Azur escala uma construção abandonada e encontra diante de si o temível Leão Escarlate, mas, preparado para falar
a língua das feras, consegue fazer-se entender e conquista
a confiança da extraordinária montaria. Velozes, dunas e colinas de areias são uma paisagem deixada para trás...
No entanto, no céu, ruflam asas de íris do colossal
Pássaro Saïmourth, carregando em suas costas 'Asmar.

Os cavaleiros perseguem bravamente
o cumprimento de uma lenda, narrada pela generosa Jénane,
no tempo em que tinha em seus braços apenas
um menino moreno de olhos negros, 'Asmar,
e um menino loiro
de olhos azuis, Azur.
Mãe e ama-de-leite, Jénane ensinou a eles a língua de dois mundos, com doçura e sonhos que não conhecem fronteiras. Porém, a felicidade da infância comum foi severamente rompida, quando Azur começou os primeiros estudos e as brincadeiras com 'Asmar tornaram-se inconvenientes à nova disciplina. O pai de Azur decidiu-se por enviar o filho a um tutor na cidade, demitindo e fechando as portas de sua casa para a ama e seu menino.

Apesar de Azur e 'Asmar buscarem, quando jovens, caminhos diferentes para conquistarem o mesmo objetivo, acabam por reviver em suas aventuras os estreitos laços de amizade e compreensão que os nutriram no colo do passado.
Das sinceras nuanças de rivalidade fraternal entre ambos, Michel Ocelot estipula um universo de bondade e encantamento para desterrar qualquer preconceito e a intolerância que subjazem na trilha dos povos, pois esta também é
uma história de sentimentos imigrantes, segundo as palavras do próprio cineasta. Na tela, quanto no livro, algumas frases dos diálogos são pronunciadas em árabe, sem o uso
de legendas ou traduções — provocando, como efeito,
a sensação de nos sentirmos igualmente estrangeiros
por novas paisagens, do lado de fora da língua...

O livro reproduz imagens do filme,
realizadas com computação gráfica, em páginas amplas de forte apelo visual — e somente elas já valem uma viagem pela arquitetura e pelos arabescos de padrões concêntricos.
Por sua vez, o texto é apresentado em formatação e na linguagem de roteiro, com as descrições de cenas marcadas pelo presente, intercalando as seções de falas rubricadas com os nomes de seus personagens.

— Salam'aleikoum!

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura


« O tempo passou. Azur fez longos estudos, mas não esqueceu os sonhos de sua infância, nem de sua babá e nem aquele que foi seu irmão. Ele se tornou um belo rapaz, ao contrário de seu pai, que envelheceu.

O PAI — Azur, agora você
está grande. O que quer fazer de sua vida?

AZUR — Quero ir ao país do outro lado do mar. E quero libertar a Fada dos Djinns.

O PAI — Você está brincando?

AZUR — Não.

O PAI — O veneno dessa sarracena vive em suas veias. Eu nunca deveria tê-la empregado.

AZUR — Você nunca
deveria tê-la caçado!

O PAI — Eu deveria puni-lo
por seu desrespeito.

AZUR — Não me puna mais, me ajude.

O PAI — Mas o que eu fiz
até aqui? »

Visitar o site oficial do filme Azur et 'Asmar

ir para

comprar

voltar