A árvore que canta, 
 o pássaro que fala e 
 a fonte que rejuvenesce


Maté
A árvore que canta,
o pássaro que fala e
a fonte que rejuvenesce


il. da autora
Brinque-Book, 2007
32 pp.


A esposa escolhida pelo sultão, em três anos sucessivos, dá
à luz um macaco, um cachorrinho e uma porca,
para o espanto e a consternação de todos, e é então
trancada na mais alta torre do palácio. Seria realmente
um capricho da natureza, se os três animais tivessem sido verdadeiramente gerados pela mulher... Mas, não!
Atrás de uma rara e intricada tapeçaria que separa os aposentos, as invejosas irmãs da esposa do sultão sorriem e saboreiam a vingança que tramaram!

Os dois filhos e a princesa que nasceram da traída sultana foram arremessados às águas, dentro de um cesto. Contudo, quis a sorte que fossem salvos pelo jardineiro do palácio e criados por ele e sua mulher. Anos e anos correm e, então, os jovens tomam conhecimento de três maravilhas existentes no mundo, após uma colina de pedras azuis: uma árvore
que canta melodias celestiais, um pássaro que somente fala a verdade e uma fonte de águas amarelas com propriedades mágicas — acontece, porém, para lá chegar
é preciso vencer muitos desafios.

A narrativa árabe escolhida por Marie Thérèse Kowalzyk,
a Maté, há mais de vinte anos vivendo no Brasil, é
uma das últimas pertencentes às Mil e uma Noites,
segundo a arquitetura de histórias em encaixe concebida por Antoine Galland, entre 1704 e 1717. Diferentemente do exotismo severo e sedutor da narração de seu compatriota, Maté decidiu adaptar a “História das duas irmãs invejosas da mais nova” ao gosto dos contos de fadas. Se o expediente não diminuiu a atração pelos objetos mágicos, nem a empresa dos três filhos do sultão em conquistar as maravilhas e o reencontro familiar, por outro lado, eliminou do texto os nomes dos personagens e um contexto cultural de valores peculiares, como a ambição, os contratos de troca, favores e deveres, a coragem e esperteza feminina.
Por isso mesmo, é oportuna uma leitura comparativa entre diferentes versões que narram as desventura de Kosrusha e seus três filhos brilhantes, Bahmane, Perviz e Parizade.

O livro apresenta, como uma introdução à história,
o resumo da trama que uniu Chahriyar e Sherazade no leito das maravilhosas narrativas, sendo ainda ilustrado por Maté com cores vivas e arabescos em aquarela.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Era uma vez, na antiga Pérsia, no país dos tapetes voadores e das mil maravilhas, um poderoso sultão que se se sentia muito solitário. Ocupado em governar o reino e em cuidar de suas riquezas, ele havia deixado o tempo passar, esquecendo de se casar. Mas, com a idade chegando, ele começou a imaginar como seria bom ter uma companheira e filhos para alegrar o restante de seus dias.
Assim, decidiu disfarçar-se de vendedor de tapetes e percorreu os seus domínios em busca de uma esposa... »



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