Coleção Marrom de Terra Lia Zatz Luanda, filha de Iansã Manu da noite enluarada Papí, o construtor de pipas Tenka preta pretinha Uana e Marrom de Terra il. Alexandre Teles Biruta, 2007 24 pp. |
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A coleção Marrom de Terra reúne relatos
de situações vividas por meninas e meninos negros.
Tenka, Luanda, Uana, Manu e Papí são cinco crianças
tocadas por conflitos de identidade étnica e cultural,
principalmente no cotidiano escolar. Mas, muitas vezes e ingenuamente,
não compreendem bem o que sentem. Ora, encolhem-se em meio à sala de aula, distraindo-se ou buscando desculpas para não participar de uma tarefa, ora trancam-se no quarto, entre a tristeza e a imobilidade. Em cada livro há, pelo menos, uma frase agressiva que denuncia as representações “brancas” enraizadas em um imaginário nada brando para com a imagem que uma criança pode construir de si — Uana, por exemplo, teme morrer de sarampo e é duplamente ameaçada por uma enfermeira: “Se não obedecer direitinho, é bem capaz de virar anjinho... Ou, quem sabe, um diabinho, pois anjinho preto eu nunca vi.” Contudo, como seria próprio da rapidez infantil, não há qualquer intenção de resposta ou revide — e, em toda a coleção, aparece apenas uma briga entre meninos, mas nenhum deles é o personagem do título. Repetindo-se em termos de estrutura, os textos de Lia Zatz apresentam dois momentos muito nítidos, como a valorização de Tenka, Manu e Papí (pelo narrador ou pelos familiares de cada personagem), seguida do desgaste da vitalidade das crianças, ou então, sendo iniciado o relato em um momento de euforia, dá-se lugar a um registro de situações anteriores, fragmentariamente, para logo retomar o tempo e o tema proposto para discussão. Palavras de carinho e respeito libertam os pequenos personagens do estado de angústia em que se encontram: a mãe, a professora de artes, a professora novata, a bibliotecária e a enfermeira (do outro turno, aliás) tornam-se figuras doadoras de colo, apoio, sorriso, conselho e generosidade, colocando cada criança debaixo das asas adultas.
Luanda mal conseguiu disfarçar a surpresa com a chegada de uma nova professora na escola. Ela mais parecia uma princesa, com turbante, colares e panos coloridos que se enrolavam em seu corpo. Mas alguém da sala retrucou: deixa de ser burra, não existe princesa negra! A professora Lúcia sorriu, abriu sua mala e tirou de lá fotos, mapas e livros — passaportes para uma cultura desconhecida.
Manu da noite enluarada
Manu era o melhor no desenho, hábil como ele não havia outro não. Mas, quando a professora pediu para que todos desenhassem sua família no papel, o menino se esquivou da tarefa como pôde. Afinal, diziam, o bonito é ter cabelos lisos!
Papí, o construtor de pipas Papí decorou rapidamente todo o alfabeto e os sons que ele esconde. Toda vez que ele levantava a mão para recitar o que aprendeu, a professora acabava escolhendo outro aluno... No segundo mês de aula, ele não mais levantava a mão, mas a professora o chamava mesmo assim. Mas Papí já não conseguia ler as sílabas pousadas na lousa!
Tenka preta pretinha
Tenka fez amigos na nova rua onde foi morar, com muita facilidade. Os garotos e garotas de sua idade adoravam brincar de beijo-abraço-aperto-de-mão, mas Tenka ficava sempre no centro da roda, comandando os pares e empurrando adiante os namoricos. Quando é que chegaria a sua vez de ser a menina escolhida? |
Uana e Marrom de Terra Quando Uana pegou sarampo dos bravos, precisou ficar uns dias no hospital. Ganhou dos pais uma boneca de olhos bem pretos, cabelo escuro e enroladinho, pele marrom e brilhante como a menina. Mas ela nunca vira uma boneca assim, deveria considerá-la feia ou bonita? Sem saber direito o que pensar, Uana escondeu o presente, prevendo como, nas brincadeiras de casinha, as outras meninas apenas permitiriam que sua boneca fosse a empregada. No entanto, quando a boneca ganhou vida, revelou para a menina a sua história de princesa, numa antiga e distante aldeia africana... |
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