Georgina Martins Fica comigo il. Elisabeth Teixeira DCL, 2001 32 pp. Os mimos para o menino não são do tamanho dele: o menino é pequeno, mas seus medos são maiores do que as coisas que ele pode abraçar: medo de ficar sozinho, medo de ficar sem mãe, até mesmo medo de crescer para não ter mais medo. E, quando começa o dia, o menino se levanta e os monstros vão surgindo pelos cantos da casa — mas só porque ele sabe que a mãe logo sairá para ir trabalhar. Georgina Martins, em uma linguagem afetiva, re-propõe o jogo matinal da despedida diária para falar dos anseios e fantasias por que passam muitas crianças pequenas. O menino tem uma tornerinha de perguntas que não cessam, mas os argumentos maternos são ternos e igualmente incansáveis. Dos medos mais imediatos aos temores quanto ao futuro, os temas abraçam nuanças sutis de sentimentos de abandono, perda e desolação, mas muito levemente que permitiria à mãe, na despedida final, transformar-se em vento apenas para voltar e acariciar outra vez o menino. Inspirado no livro de Bárbara M. Joosse, Mamãe, você me ama?, o texto é construído em uma estrutura de diálogo, sem intervenções de um narrador, permitindo-nos ouvir diretamente as vozes do pequeno e sua mãe. As respostas são firmes e doces embalando o filho em uma promessa que jamais se romperá — e isso é extremamente bonito e delicado. As ilustrações de Elisabeth Teixeira ambientam o cotidiano da mãe e do menino, movimentando portas com sombras que só o menino vê, uma bruxa azul por detrás do acortinado do banheiro, um dragão que habita debaixo da toalha da mesa. Os detalhes das cenas são cheios de ternura e brasilidade, como o feijão preto, o filtro de barro, os vasos de flores na janela... |
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