Dentes de Rato 
 Agustina Bessa-Luís



Agustina Bessa-Luís
Dentes de Rato

il. Renato Izabela
Peirópolis, 2006
64 pp.


Lourença era diferente:
fechava os olhos e vivia aventuras maravilhosas.
Por isso “não gostava de ninguém que se pusesse entre
ela e sua imaginação”. Do que mais gostava de fazer?
De comer maçãs, onde deixava seus pequenos dentes de menina... Tão pequenas eram suas mordidas que fizeram com que lhe apelidassem de Dentes de Rato.
Também gostava de se deitar para dormir, mas apenas para sonhar acordada com aventuras e com pessoas diferentes.

Solidário à poesia e às desventuras de Lourença,
o narrador de Dentes de Rato revela, numa linguagem simples e próxima ao universo criativo da personagem,
um pouco da trajetória de crescimento da menina:
a mudança de colégio, a ausência do pai, a distância afetiva da mãe e dos irmãos, os safanões e puxões de Tio António,
a troca de residência, as férias em Cavaleiros...

Terminadas as férias, enfim, Lourença
volta ao colégio mais forte. A perda dos dentes, seu rito iniciático, faz-lhe forte o coração. A menina chega, assim,
aos nove anos, sem que ninguém se ponha entre ela e
sua imaginação: “Achou que o mundo inteiro esperava
por ela, e os mares todos, com suas tempestades, podiam ficar calmos porque ela assim queria que fosse”.

Dentes de Rato é uma narrativa delicada
e poética, escrita por Agustina Bessa-Luís, uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea,
que obteve o Prêmio Camões em 2004.

  P o r t u g a l

Comentários de
Gláucia de Souza
Dobras da Leitura



« Lourença dizia:
— Nunca
vou querer ser rica. Penso que um dia sou muito rica, chego a um hotel, como se chegasse a um castelo cheio de coisas boas,
com criados vestidos de seda que aparecem para me servir. E digo:
"Quero arroz tostado, aquele arroz que fica no fundo do tacho e que é preciso muita força
para o fazer sair".
Todos se olham,
sem compreender. Há perdizes e peixes de ouro e violetas doces. Mas
não há arroz tostado. Então, de que vale
ser muito rica? »


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