Sylvia Orthof Maria-vai-com-as-outras il. da autora Ática, 1982 32 pp. O que é necessário para uma ovelha dar uma requebrada na vida e modificar todo o seu caminho? Dos textos mais bem comportados de Sylvia Orthof, a história de Maria, que ia sempre com as outras ovelhas, é uma das primeiras delícias que conheci. O texto é uma fábula contemporânea, arejada com a precisão de uma lengalenga, com rimas marcando o ritmo e um refrão ecoante, no final de cada situação: Maria ia sempre com as outras. Ela ia pra baixo, ia pra cima. Ia pro deserto, ia pro pólo sul. Até que as coisas começaram a apertar... Foram todas comer jiló, Maria detestava jiló, mas como as outras ovelhas comiam, Maria comia também. É neste instante que o narrador se manifesta, com uma simples e enfática exclamação: “Que horror!” E, não-mais-que de repente, Maria pensa pela primeira vez. Bastou? Que nada, Maria continua seguindo o rebanho... Até que vão as ovelhas para o alto do morro do Corcovado e, de lá, saem pulando fofinhas e faceiras pra dentro da lagoa, muito, muito abaixo. Conseguiram? Que nada! E Maria? A Maria que vemos na ilustração é uma ovelhinha diferente: não tem as pestanas fechadas, nem o sorriso vermelhamente angelical. Ela não é uma ovelha cinza no meio da alvura azulada do rebanho — é, aliás, bem parecida com a maioria. Porém, sofre, como sofre, pega gripe, insolação... Tudo porque não sabe caminhar por onde quer o seu pé! Sylvia Orthof dá um desfecho simples à história com um recado sorridente, gracejando leve com os leitores, com as ovelhas e com o narrador. Agora, mé, leia você o livro e tire suas próprias conclusões! |
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