Eliana Martins O Mão de Veludo il. César Landucci e Alexandre Camanho Escala Educacional, 2006 136 pp. Uma investigação única e três tempos para o leitor embrenhar-se na história, assim é a novela juvenil urbana que Eliana Martins articulou. No presente, Paulo e Sofia procuram pistas a respeito de certo Cláudio Manoel da Costa... a Internet é um congestionamento de informações sobre o Inconfidente mineiro, mas não é ele exatamente quem eles procuram. Correm então ao Arquivo do Estado de São Paulo, ao antigo prédio do DOPS e ao Centro Universitário Maria Antônia, onde, há 30 anos, funcionou a Faculdade de Filosofia da USP. Já dá para saber quem foi esse outro Cláudio Manoel? Em 1967, Valéria, uma jovem aluna do tradicional Colégio des Oiseaux, só tem ouvidos para a Roda Viva, de Chico Buarque, e prepara uma animada reunião em sua casa, com três aparelhos televisores (!) para os amigos e convidados acompanharem a grande final do Festival da Música Popular Brasileira da TV Record... Mas, a noite lhe reserva duas decepções: Blota Júnior anunciará a canção vitoriosa Ponteio, de Edu Lobo, e seu namorado, quebrando promessa, não aparece: onde foi que se escondeu Cláudio Manoel? Ligando o passado ao presente, a figura do velho Afonso que os meninos conheceram durante as últimas férias — o encontro dos três compõe, em síntese, o terceiro tempo narrado no ambiente de um hotel fazenda. Quando jovem, Afonso fora amigo de Cláudio Manoel e, hoje, anseia por encontrá-lo novamente... Por isso, pediu ajuda a Paulo e Sofia que se deslocam entre ruas, prédios e acervos paulistanos que recontam histórias dos Anos Rebeldes. Alternando cenas, Eliana Martins busca a agilidade televisual — resultando em um texto mais próximo do relato, pouco descritivo, privilegiando os diálogos e a ação. Em meio à narrativa, também comparecem e-mails, blogs, bilhetes, documentos e depoimentos sobre a época da ditadura. Por sua vez, os títulos dos capítulos são trechos de canções da MPB que funcionam, ainda, como epígrafe e comentário sobre o que virá a ser narrado. A autora mescla discursos de diferentes tempos, mas não é preciso ser especialista para desvendá-los: boa parte do processo de criação é exposto nas últimas páginas do livro. Até lá... Por onde anda Cláudio Manoel? E qual será a sua relação, caro leitor, com o título do livro? Bem cantava também o Chico: "Deus me deu mão de veludo pra fazer carícia..." E os momentos finais da trama chegarão desvelando nomes e novos conflitos, num intrigante ponto de virada. |
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