Christiane Gribel e Orlando Não vou dormir Global, 2007 40 pp. A menininha enfezadinha de cabelos vermelhinhos disse que não vai dormir... Pode até desligar a televisão, subir os degraus da escada (nervosinha, hein?) carregando seu ursinho, escovar os dentinhos (irritadinha talvez) e ir para a cama. Mas, ela diz: — Não vou dormir. É a partir de uma situação tão rotineira para quem cria pestinhas em casa — ou para quem tem menos de cinco anos e pais chatinhos, também em casa — que Christiane Gribel e Orlando tiram o melhor do humor para os leitores (de qualquer idade que moram aí, na sua casa). E o que casa muito bem nessa curtíssima história é a seqüência de imagens e frases curtas, em um projeto gráfico bacana que assume os papéis de narrador e de diretor de filmes: as primeiras páginas-cenas mostram a menina como se uma câmera ali a acompanhasse e, de repente, toma o ponto-de-vista e a voz da pequena personagem. Sentada e acordada no quarto, o que mais ela veria senão os pés da cama? E a cômoda e o guarda-roupa, a janela, a boneca, o mancebo e o cavalo-de-pau, o retrato de palhaço: o cenário não muda... Mas, por quanto tempo, ela vai ficar olhando a mesma cena? E o leitor? O que nos diverte, no livro, é perceber o cabo-de-força da menininha contra o sono: o campo de visão vai diminuindo pouco a pouco... Ela pisca, o enquadramento aumenta, então depois... vai, vai, vai até que tudo se apaga. |
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