Taisa Borges A bela adormecida livro de imagem inspirado no conto de Charles Perrault Peirópolis, 2007 32 pp. Em meio a estamparia floral que evoca os longos braços de folhas e espinhos que circundaram o castelo da princesa, Taísa Borges prega a seqüência de quadros que recontam a história de A Bela Adormecida. Finíssimos traços dão contorno a volumes brancos do cenário e do figurino dos personagens, mas detalham expressivamente o rosto do rei, rainha, fadas e príncipe, como lembrando que, debaixo da rouparia dos arquétipos, o que prevalece nos antigos contos de fadas é seu elemento humano. Valorizando o traço, as imagens são tingidas por uma ausência quase total das cores: é apenas um amarelo esmaecendo ao fundo do casal real, na primeira dupla página do livro, é apenas um vermelho que mancha a toalha da mesa durante a celebração do nascimento da menina, apresentando as sete fadas convidadas... Então, quando surge a jovem Bela, vemos seu vestido translúcido de cores: o corpete vermelho, o recortado de azul nas mangas, mais o azul e o amarelo da saia insinuando, entre os arabescos de flores, a presença ou a esperança de brotar um novo matiz. O verde cobre o manto do príncipe, pois branca é a floresta que se abrirá diante de sua passagem. Ao escolher a versão francesa do conto, a partir do texto de Charles Perrault, Taísa Borges reservou as páginas centrais para uma surpresa para muitos leitores: os filhos que Bela e o Príncipe tiveram no aconchego do velho castelo, e é chegado o momento em que ele deve retornar para seu reino e apresentar a nova família perante os pais. As cores já não estão tão puras, como antes... E as vestes escurecidas e o rosto mal iluminado da Rainha-Mãe nos advertem do desenvolvimento sombrio que está para acontecer. Neste trabalho, que encerra a trilogia de homenagens à leitura dos contos de fadas, Taísa Borges enfrenta o desafio de cenas mais estáticas, principalmente na primeira parte do livro, como se os personagens posassem para um retrato à beira de um palco. Desta maneira, são flagrados momentos estanques que exigem da memória do leitor completar os vazios da seqüência narrativa. No entanto, a segunda parte da história, talvez por ser menos divulgada, é desenvolvida com mais vagar para o encadeamento de ações, como convém a um livro de imagens |
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