Toni Brandão Oxente! A mulher enterrada viva il. Carolina Cunha Edições SM, 2006 176 pp. E o que era para ser uma simples viagem à Bahia acaba se transformando em uma desabalada aventura. Por isso, corra! Que os homens de terno preto vêm aí... Os primos Léo e Ana Clara pensavam que apenas acompanhariam Tia Didi a um Congresso de História em Salvador e passariam mó parte do tempo na piscina. Assim que chegam, vão logo às ruas da cidade que se movimenta como um caleidoscópio de diferentes fotografias, tal a riqueza de suas cores, cheiros e construções: cada ângulo exibe-se como um novo cenário. Os três não deixam de comprar sua fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, seguem para o Mercado Modelo, onde há o mais refrescante sorvete de cupuaçu, e então as coisas estranhas começam a acontecer: um repentista cego cantando versos sobre a mulher enterrada viva, como se dissesse algo e olhasse para Didi... dois homens vestindo, de modo incomum, sob todo o calor do mundo, ternos pretos... Mas, o que importava naquele momento era Didi contar o motivo de parte da viagem: um encontro romântico com um baiano bonitão chamado Jorge Virtual. Léo e Ana Clara adivinham alguma confusão pela frente, porém só acertam a metade: mal dão as costas e Tia Didi, de repente, desaparece! É com amém e axé, no conhavo de todos os santos, que os primos vão organizando suas ações até que tudo se explica, mas não é resolvido...
Toni Brandão Creindeuspai! A procissão dos mortos-vivos il. Carolina Cunha Edições SM, 2006 176 pp. Ana Clara e Léo continuam correndo, mas agora a situação se inverte: são eles que vão atrás dos dois homens de preto, pelas cidades históricas de Minas Gerais. do fuxico das bordadeiras de Ouro Preto, quando reconheceu a figura dELES no meio do povo... Convocou imediatamente o primo e, juntos, convenceram Didi a uma viagem para além da cidade que é "uma montanha russa barroca", onde as pousadas e os hotéis fecham suas portas para eles... Tarde da noite, acreditam as gentes, é a hora da procissão dos mortos-vivos ganhar as ruas e ladeiras, mas é também a hora de Léo, Ana Clara, Didi e o misterioso Tiago enfrentarem a primeira perseguição dos homens de terno escuro! Outros acontecimentos estranhos também se desenvolvem nesta nova aventura, como a interrupção da tradicional feira de artesanato, o desparecimento de cinco velhas bordadeiras e outros segredos que vão sendo desatados. Das noites frias de julho aos labirintos dentro das minas, o clima torna-se cada vez mais sombrio! Brasil de arrepiar
As tramas de Toni Brandão pretendem trazer um Brasil diferente para os leitores, tradicional e contemporâneo, em um texto marcado principalmente pela linguagem televisiva. Deste modo, o discurso narrativo e o discurso interativo (falas entre os personagens) são constantemente entrecortados como refazendo um jogo de câmeras, através de diálogos abundantes preenchidos por detalhes visuais que pontuam desde os elementos do cenário à mínima nuance do gestual e de outras reações particulares a cada personagem. Os primos Léo e Ana Clara compartilham de uma cumplicidade muito forte, são capazes de se entenderem por um simples olhar e completar as frases um do outro. Também sonham os mesmos acontecimentos, ou se arrepiam simultaneamente. Quando o elo parece enfraquecido, logo disparam: Se liga, Léo! Se liga, Ana! Mas, dizem igualmente tal advertência por vários motivos... O tom, assim, oscila entre a irreverência e os mistérios que só eles podem compreender. Ou tentam compreender. Acompanhando o ritmo televisual, ocorre certa tautologia de informação, em termos de sucessivas retomadas das falas. Outra característica da narração que se faz notar é o uso de reticências. E um trecho do próprio texto expõe metalinguísticamente a técnica para prender a atenção do leitor de Toni Brandão: "Fazendo uma pequena pausa para aumentar o suspense e também para encontrar para sua fala um tom enigmático e que ao mesmo tempo faça Tiago acreditar nela, Ana Clara respira fundo... e..." (Creindeuspai!, 78) Os livros possuem, ao pé das páginas, notas de informação, com desenhos e fotografias, a respeito de uma palavra ou expressão destacada no texto. De maneira muito atraente, estes campos abertos paralelamente contextualizam os leitores nestas viagens pela cultura brasileira, dando evidência a lugares, construções, festejos, manifestações populares, animais, culinária típica, crenças, com pitadas de história e de geografia social. Depois da Bahia (Oxente!) e de Minas Gerais (Creindeuspai!), será a vez de São Paulo (Orra meu!) e sua boa tradição do café. |
| ||||
|