Rosinha Campos Esmeralda il. da autora Projeto, 2007 32 pp. Os olhos de Rosinha estão mais esmeraldas pelos campos de mar e lenda que rodeiam Fernando de Noronha: em sua estréia como escritora, Rosinha Campos vem nos contar a triste sina da Moça-que-vinha-de-longe, movida pelas águas da paixão por um príncipe que morava na ilha. Encontravam-se em sonho, todas as noites, até que a jovem soube que a hora era de partir, em busca de sua felicidade. Mas, Alamoa, a cruel, também desejava o formoso Rapaz-do-reino-das-águas-cor-de-esmeralda e tomou conselhos com uma feiticeira do mar em troca do próprio coração. E preparou-se assim para o encontro e preparou todo o encontro: com prisão de cristal, pesadelo, labirinto, veneno — e a Moça-que-vinha-de-longe capitulou, pelos cabelos, que Alamoa amarrou e soltou do alto castelo ao mar... Um cardume de peixes-agulha cor de prata leva a narrativa adiante para desfazer os malefícios aplicados contra o jovem casal. Rosinha Campos privilegia a doçura e a coragem da Moça que descobre seu destino nos golfos esmeraldas da ilha. Seu texto marola com o movimento das sensações e dos sentimentos que inundam suas personagens, dando-lhes contornos de um sonho contínuo: são, por isso, como as visagens que surgem e desaparecem, tomadas de angústia, a fim de seguir um imperativo maior. As ilustrações também são visões: abertas em páginas duplas, pontuam a narrativa com um silêncio visual que inspira a contemplação. Das labaredas que irrompem, inicialmente, no sonho do último abraço ajardinado do casal, à solidão de céu marinho imposta à alma de alamoa, o livro alterna páginas de seqüencia verbal e só imagem. A narrativa é impressa em páginas que mimetizam mapas cruzados pelos quatro pontos cardeais, onde despontam poucas criaturas do mar abissal e velhas rosas do vento, em um bonito efeito de textura com rajados e descascados em cinza, esmeralda e salmão. |
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