O macaco faz das suas 
 Mary França



Mary França
O macaco faz das suas

il. Eliardo França
Global, 2007
32 pp.


Há no mundo, algum animal
mais esperto do que a raposa?
No Brasil, tem. Quem?
Um pássaro danado chamado Quenquém que honra a família das penosas e, por aqui, vinga o queijo perdido pelo primo,
o corvo europeu, fugindo debaixo das fuças da raposa.
Por muito tempo, esta foi minha fábula favorita, do livro de Câmara Cascudo para a sala de aula, pois é impagável a cena em que a matreira pensa passar uma decompostura em alguns meninos, que Mary França adaptou como miquinhos.
No final, acho que dá no mesmo porque meninos, quando querem, são dados à macaquice. E é assim que começa um passeio pelo folclore em que o macaco irá fazer das suas.

A segunda fábula conta a saída de um ratinho, pela primeira vez no mundo. Embora prudente, ouvindo os conselhos cautelosos de sua mãe, deixa-se enganar pelas aparência. Quem, afinal, é amigo: o gato fofinho ou o galo estridente?
E
não poderia faltar a lengalenga do macaco insistente que arruma um fio de gente para fazer sua história. Mas, desta feita, ele não perde o rabo... e, sim, uma banana! E
vai pedindo ajuda ao tronco, ao lenhador, ao soldado,
ao rei, ao rato, ao gato... incansavelmente!

A penúltima fábula fala não só da esperteza, mas
do atrevimento do macaco em provocar a onça e o touro para um cabo-de-guerra. E como ele gosta-que-se-enrosca de cutucar bicho grande com sua inteligência, mas continua sempre um molecão, por fim, na quinta história do livro,
o macaco se verá Rei dos Animais, de coroa e tudo... por bem menos que meia-hora. Como isso aconteceu?
Ora, pregunte para a falastrona da raposa ;-)

O casal França repete o sucesso de sempre:
o texto de Mary anda leve pelas cenas enriquecidas com a reação dos personagens e as ilustrações de Eliardo investem nos olhares que revelam a natureza humana mascarada de animal. As imagens, aqui, se apresentam ora colorindo toda uma página, isolada do texto, ora em molduras e requadros que retomam a linguagem gráfica de antigos livros de fábula.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« A Onça, vendo os cocos, quis saber a quem pertenciam. O macaco respondeu:
— Os cocos são meus. Naturalmente, se a amiga não os quiser.
A Onça falou que não queria saber de cocos. Desejava saber se o Macaco tinha visto o Bicho Homem.
— Faz tempo que não o vejo — disse o Macaco —, mas já aprendi muita coisa com ele. »


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