Kaká Werá Jecupé As fabulosas fábulas de Iauaretê il. Sawara Peirópolis, 2007 88 pp. Um dia, a onça-rei, o Iauaretê, transformou-se em guerreiro kamaiurá e casa-se com a bela Kamacuã. De dia, homem, de noite, bicho, ela logo desconfiou e acaba descobrindo o segredo da viração. Mas o fato, estranho e fantástico, não impede o amor entre eles e tiveram dois filhos: Juruá e Iauaretê-mirim. Eles vão crescendo e separam-se por dois diferentes caminhos que existem no mundo: o caminho da justiça e o caminho da destruição. Juruá vira peixe, Iauaretê-mirim consegue uma pena mágica da Acuã e voa ao encontro de Jacy-Tatá, a senhora-estrela dos segredos dos pajés. Com o movimento das transformações, homem e bicho se confundem porque são mesmo parentes: jabuti, coelho, boto, anta, raposa, todos compartilham de uma única sabedoria — e muitas situações engraçadas. Kaká Werá reconta assim uma série de fábulas brasileiras que nasceram com as culturas tupi, kadiweu, bororo e munduruku, espalhadas de norte a sul do país e compiladas, pela primeira vez, pelo general Couto de Magalhães, em 1873; mas Kaká Werá deu seu toque de índio e inventa uma trama nova para acomodá-las. O efeito fabuloso é certamente conquistado pelas seqüências de viração mágica, mas o feitio de toda obra é como um novelo que se desenrola facilmente, da primeira à última página, devido a um jeito de narrar gracioso e preciso em que nada parece faltar — ou sobrar. Para usarmos de uma metáfora de Jacy-Tatá, como quem desperta estrelas dentro do tronco de árvores, Kaká Werá consegue ultrapassar os limites de um simples registro factual de antigas histórias, transformando-as em narração literária. As aventuras e desventuras de Iauaretê são acompanhadas pelos desenhos de Sawara, filha do autor, emprestando ao livro certo ar de uma simplicidade bem resolvida através do projeto gráfico de Iago Sartini. |
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