Jorge Fernando dos Santos Cordel das lendas bovinas il. Graça Lima Paulinas, 2006 24 pp. Para mostrar que o boi é um animal para o ano inteiro e não apenas das festas de dezembro, janeiro e junho, Jorge Fernando dos Santos inventa versos e compõe seu ABC, um gênero da poesia popular que passeia pelas letras do alfabeto a cada começo de estrofe e que, comumente, promove o conhecimento ligeiro sobre um determinado assunto. Com toque de cordel, temos assim um ABC para saudar e celebrar o boi. Do A ao Z, o boi vaga do acalanto ao pasto, com modos de assombração para ninar criança e com valentia para o trabalho. Jorge Fernando não esquece nem mesmo de cientificamente di-C que este filho ruminante da família bovídea é um artiodáctilo elegante. Dos bois de muitos usos e citações que o homem lhe deu, na vida prática e na literatura, o caminho de cordel se encaraminhola pela história e por países distantes, lembrando cavernas ancestrais, labirintos gregos, arenas do mundo e matas amazônicas. De fato, não há cultura no mundo que não tenha reverenciado o boi tão pacato e paciente com a gente. Contendo 23 sextilhas que compõem o ABC, mais um acróstico com as letras de Jorge S, este Cordel das lendas bovinas emprega a forma aberta com nove pés métricos rimando nos versos pares; o primeiro, terceiro e quinto versos, como se diz, são deixados órfãos. E Graça Lima ilustra o livro com um trabalho gráfico que puxa mais pelos matizes quentes, aterradas: são cores chapadas aplicadas ao fundo da variedade visual do boi. Recorta principalmente as figuras do cordel e ranhuras de madeira, tintadas de preto, mas toma emprestado também a estilização animal das paredes pré-históricas, uma delicada gravura negativa com traços finíssimos em madeira mais resistente do que a madeira da xilo nordestina, e outras formas de representação, dos murais egípicios ao bit digital. São vários os caminhos, afinal, que nos fazem saber por onde passa o boi. |
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