João Boboca ou João Sabido? 
 Rosane Pamplona



Rosane Pamplona
João Boboca
ou João Sabido?


il. Ionit Zilberman
Brinque-Book, 2007
24 pp.


Mais uma vez, mais um João dos contos populares: um João ingênuo, casado com Maria, que levava uma vida muito simples, sofrida, porém feliz. Um dia, no tempo das vacas magras — ou melhor, quando a única vaquinha da família ficou magra, magrinha, Maria achou que seria o momento de levá-la ao mercado... Mas, o marido, que não era bom nos negócios, não poderia vender a vaca, nem comprar nada: deveria trocar a malhada por alguma coisa que fosse boa para eles. Maria assim pensou, assim disse, e João concordou, empenhando sua palavra.

Antes de chegar ao mercado, porém...
João topou com um pastor pastoreando cabritas e fez
a primeira a troca, ao que o narrador logo dispara ao leitor: João era boboca ou João era sabido? E ele vai seguindo, cabrita no laço, até ver passar uma carroça carregada
de gansos gordos, e depois vê belos frangos,
e depois um pássaro canoro, e depois...
Com o que será que ele vai voltar para casa?

Rosane Pamplona reescreve, a seu modo, o conto tradicional do tolo ingênuo que os Grimm nomearam por João Sortudo
e virou João Felizardo, nas mãos de Angela-Lago. Aqui, apesar do mote que move a lengalenga e dá título ao livro, cabendo ao leitor decidir se João era bobo ou sábio, temos
o máximo do otimismo, porque dias melhores virão àqueles que destinam regozijo à vida, mesmo nas situações mais graves em que a fortuna parece faltar. E, nas ilustrações de Ionit Zilberman, os olhares das personagens denunciam as diferentes expectativas e perspectivas para encarar os fatos — ou pelo menos, as trocas nem tanto desastrosas de João!

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« — Aonde você vai
com tanta pressa? — perguntou o homem.
— Vou ao mercado, trocar este ganso, que troquei por uma cabra, que troquei por minha vaquinha malhada — respondeu João.
— E que tal
trocar o ganso por um
dos meus belos frangos? Também seria uma boa troca! — sugeriu
o esperto negociante.
— Você tem razão. Que franco gordinho! A Maria vai ficar contente! »




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