Roney Cytrynowicz Quando vovó perdeu a memória il. Andrea Ebert Edições SM, 2007 64 pp. Quando o menino viu o avô chegando em casa com a mala, entendeu que a vida de todos iria mudar. Havia dois meses, vovó estava morando em uma casa de repouso e, agora, eles dividiriam o mesmo quarto, o espaço do guarda-roupa e um tanto assim da estante, onde, ao lado de um guerreiro viking, o velho depositou um porta-retratos com a fotografia dele com a avó, ainda quando eram jovens, muito jovens e passeavam no Jardim da Luz. Aos olhos do neto, o avô tinha um segredo, uma corrente que pendia de seu bolso, e o menino nem conseguia imaginar o que ali se prendia. Ao descobrir tratar-se de um relógio, logo pensaria ser a melhor maneira de não deixar o tempo escapar... Mas o tempo que passou estava bem guardado em outros objetos, na foto de amigos, um ingresso para o futebol, um bilhete do bonde camarão, um recorte de jornal. Pelo menos, assim poderia parecer — mas, se estes pequenos papéis não guardam em si as histórias do passado, eles são a chave para a memória das coisas que não podemos perder. Roney Cytrynowicz escreve uma história afetiva em que todo e qualquer cotidiano, ordinário ou turbulento, é afastado da visão do leitor para que as diferenças entre personagens falem por si, consigo, entre si, transformadas então em diálogos — de mútuo conhecimento — entre o velho e o neto. E, com o tempo, sei lá breve, quiçá extenso da convivência, o menino percebe que as histórias do avô se repetem, mas são sempre novas porque descortinam detalhes diferentes. Apropriadamente, como texto narrado em primeira pessoa, a ilustração de Andrea Ebert usa traços e elementos de composição como desenhos de criança: como a perspectiva afetiva que apresenta a desproporção do tamanho do avô, ao passar pela porta, no dia em que chegou... |
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