Eric Madden Sopa de prego il. Paul Hess Biruta, 2007 28 pp. A sopa engenhosa está novamente à mesa: e o cozinheiro, desta vez, é um esperto viajante, bom de rimas e outros encantamentos que andou por terras distantes, vendo coisas que nunca vira antes. Além de uma saborosa refeição, ele tem histórias para compartilhar e transforma a dura e ranzinza camponesa em uma pessoa mais feliz e generosa. O reconto de Eric Madden começa na trilha de uma floresta, por onde o viajante vem, abrindo a boca de uma noite nevada. Avistando uma pequena cabana, a luz da janela acende a esperança de uma boa cama para dormir... Mas, com as mãos na cintura, a senhoria se mostra severa: porque o marido estava fora e ali não era nenhum hotel... Se quisesse poderia dormir perto do fogo, no chão, e nada mais. "Oh não", respondeu o viajante: "Melhor um chão, onde a gente não pode dormir nem fazer festa, do que bater os dentes no meio da floresta." Diferentemente da bem conhecida história da sopa de pedra, um conto de esperteza que roda malasartes por nosso Brasil, nesta sopa de prego, é adicionado um novo ingrediente: um quê de homenagem-e-referência à narração de histórias, ao pé do fogo, aproximando as pessoas. E a ilustração de Paul Hess faz um pouco mais, faz passear pela cena os três ratinhos cegos dos velhos limeriques ingleses, borda no tapete o besouro que vôa no conto de Tzar Saltan. Mas as imagens não primam apenas por duas ou três marcas intertextuais: narram o degelo de um coração solitário, o trabalho e a fantasia que transformam a simples morada em um castelo de contos, o sentimento de ser rei e ser rainha em volta de um prato de sopa. |
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