Lenice Gomes Na boca do mundo il. Elisabeth Teixeira Paulinas, 2006 24 pp. Quem disse que Lenice dizia, mas não sabia jenipapos de montão? Puxe bem pela memória pra ouvir adivinhação... Abrindo o livro, um bobo da corte sorri para a gente — só ri da gente, hmmm? E o convite da autora se faz bastante claro: quem arrisca petisca ou não petisca? Lenice lança assim sua isca e, quando nos damos conta, estamos suspensos pela dúvida do que é, o que é? A cada página virada, descobrimos uma cena diferente que Lenice Gomes descreve em versos, entre pistas e despites, e a ilustração de Elisabeth Teixeira dá cores e perspectiva. Texto visual e texto verbal complementam-se, mas não são poucas as vezes que o olhar fisga primeiro, na imagem, o contexto e a resposta que a poesia esconde — pois o palavreado dança frevo, carregado de oralidade, giro e destreza. E as adivinhas passeiam com pés de estrelas, vão para a caixa da costureira, derretem com açúcar no coração da cozinheira, mergulham no azul do vôo, viram cantador de loa no avesso do luar, giram na palma da mão, coçam letra na ponta do nariz... E o segredo é este: que a autora bebeu muita água de chocalho e fala-que-fala pela boca dos anjos. E o leitor deve saber que, na língua, não existirão barreiras semânticas para as coisas se transformarem! Esta é a arte e o ofício das semelhanças e analogias que regem as adivinhas, via empréstimo de palavras que ganham mais de um sentido na estripulia da conotação que Lenice se vale! |
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