Herminia Castro A escola no pé das Andorinhas il. André Neves DCL, 2006 47 pp. Porque a vida no morro é feita de cotidiano comum, nenhuma bala perdida dispara destas páginas. Basta saber por onde andar, acima ou abaixo da ladeira, entrando pelo intricado dos becos sem deixar seu sonho ali se perder. Nem trocar por outro, feito de atalhos... E Warlei sabe. Mesmo que agora tenha que seguir solitário, sem a companhia do Washington, que quis freqüentar do irmão, só nas roupas novas, "do interesse das meninas". Foi um pulo para envolver-se com as drogas: outro pulo menor ainda para morrer assassinato. Mas estas páginas também pertencem a Pedro Jorge que mora lá embaixo, muito perto da escola, bem onde a ladeira das Andorinhas termina. Ou começa, varia o ponto de vista. E é exatamente com a trama de pontos de vista e juízos diferentes que a pequena novela se desenvolve. Afinal, como um menino verde, imaturo, vai ter amizades com um estudante de outra classe, três anos mais velho? Ainda mais, morador do morro? A opinião dos professores se dividem, o diretor convoca as mães... Herminia Castro inspirou-se nas histórias de vida de garotos que conheceu em instituições correcionais do sistema de atendimento ao jovem que tem problemas com a lei, escrevendo e discutindo o texto com a participação deles. Embora a narrativa diga respeito ao encontro que pode abrigar a amizade de Warlei e Pedro Jorge, o enfoque temático não recai sobre seus ombros. A dedicatória do livro, nesse sentido, fornece uma pista importante para compreendermos que o conflito instala-se sobre o papel social da escola e seus profissionais, vezes e vezes em contradição ao desejo — caminho de muitos sonhos — dos próprios adolescentes que estão nestas páginas, ou fora delas. Há uma mensagem aos educadores sociais responsáveis por "um mundo novo a cada dia"... Andorinhas pelo chão e andorinhas que voam. |
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