Elias José Lua no brejo com novas trovas il. Graça Lima Projeto, 2007 48p. Isquindô lê-lê, isquindô lá-lá, Elias José de volta à poesia de inspiração popular, retomando temas de nossa cultura, o palavreado e as estruturas formais num bem-bolado balaio de versos para a gente gostar. São 25 poemas que falam da brejeirice de bichos e gentes, como o sapo galã batendo papo com a sapa, acompanhado de uma platéia movimentada; os namorados de beira-estrada sempre prontos para partir dos braços da morena, da loirinha, da mulatinha, da pretinha... São namorados diferentes, do Piauí, do Paraná, das Gerais, ou apenas um só viajante que chega anunciando "Eu não sou daqui"? |
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O jogo de ambiguidade não está presente apenas nestes dois exemplos, mas vai pontuando galhofeiramente, de tanto em tanto, outros versos. Isquindô lê-lê, isquindô lá-lá, Elias aliás troça com a própria trova: Eu vi um poeta vendo a cidade de cima. Será falta do que fazer ou será falta de rima? Até parece que celebra assim a ociosidade tão querida do versejar sobre nada de muito sério e todas as coisas que se encontram por aí, soltas no mundo, à espera de virar literatura. |
Estas novas trovas retomam um antigo projeto editorial, Lua no brejo, originalmente lançado pela Mercado Aberto, em 1987, em que são recriadas cantigas de roda e brincadeiras faladas de criança, no estilo dos textos mais gostosos de Namorinho de portão. Elias se apropria das formas simples, das repetições sintáticas e sonoras, reinventa estribilhos, travalínguas e mimos... Mas antes de dar o gaturamo, dizendo adeus, dou destaque a dois poemas. "Vivacidade" reúne seis recortados em quadrinhas que, com humor, toca pelos limites de cada existência: a galinha que não faz trato com raposa, rato que não chega perto de gato, sapo que fica longe de cobra e jacaré; e vai surgindo o tom proverbial bem colocado entre o mocinho e o bandido, o velho e a morte, a moça e a saudade. Facilmente rimos com as sugestões e captamos a sabedoria pela força da expressão. "A casa e o seu dono" é um brinco de sete dísticos que constróem a parlenda do Elias que, na leitura em voz em alta, há de transformar-se num jogo responsivo, permitindo à criança completar o nome de cada dono que rima com o verso anterior. E, depois, leitores-autores, é só improvisar versos que o jogo continua! |
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