Os gêmeos do tambor 
 Rogério Andrade Barbosa



Rogério Andrade Barbosa
Os gêmeos do tambor

il. Ciça Fittipaldi
DCL, 2007
40 pp.


África em
tempo de ancestralidade:
um reconto do povo massai,
um povo que se espalha pelas planícies entre o Quênia
e a Tanzânia, povo altivo e guerreiro cheio de cores.
Em um agrupamento, vivia Kipetete e suas duas mulheres, mas os mistérios da natureza fizeram com que Marogo fosse pródiga na prole, mas Awoi jamais concebesse um filho.

A diferença planta a inveja no coração de Awoi. Teme,
cada vez mais, o desprezo e o desinteresse do marido. Marogo dá à luz a duas crianças saudáveis,
protegida que é pela Rainha da Noite, a lua.
Envolta pela madrugada, a mulher sem filhos decide-se
pela vingança: com a ponta de uma faca, fere
os dedos dos meninos e, com o sangue vertido,
banha as vestes da verdadeira mãe. Arremessa
as crianças ao rio, ao fundo do oco de um tambor,
e volta à tribo, gritando desesperada...
e acusando Marogo de um hediondo crime.

Marogo sofre com o castigo da lei dos homens.
No entanto, esta é uma narrativa de justiça — já sabemos que os gêmeos viverão, recolhidos que foram como Moisés das águas e, um dia, retornarão para reparar a ordem.
Pois bem, nem conto, nem lenda: Rogério Andrade Barbosa resgata um gênero da tradição chamado caso
e diz respeito a um código ético e penal: a malfeitoria
não é mágica, nem força autônoma a interferir
nos caminhos humanos.

No passaporte das páginas, o colorido de Ciça Fittipaldi em forte desenho étnico. Desfilam altivos homens e mulheres elegantes, o povo massai envolto em vermelho, colares e miçangas pelos horizontes ocres de montanhas azuis. Kume e Kidongoi entram em cena por entre baobás e rebanhos.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



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