Pedro e Lua 
 Odilon Moraes



Odilon Moraes
Pedro e Lua

il. do autor
Cosac Naify, 2004
48 pp.


Gosto do primeiro cinema
de Georges Méliès, em busca de uma técnica tão própria,
e suas imagens caprichosas piscam em minha retina:
é a primeira leitura de Pedro, a visão de sua cabeça desprendendo-se para o alto. E o olho, por persistência das velhas imagens, preenche o fundo negro com nova cabeça, continuidade de movimento, novas imagens. É doce iludir-se assim e, assim, flagro o rastro verbal. Pedro, pedra, peso. E toda essa leveza que não está no branco do croqui apressado, mas inversamente, na densidade do nanquim.

Coligindo signos, colidindo índices, a percepção captura
este jogo do papel com a tinta, os espaços vazios, duros, e
os espaços vazados de pigmento, líquidos. Algo oscila entre minhas idéias e sensações. O verbo conjugado no imperfeito traz o fascínio das coisas que não se tornaram fixas
pelo tempo: Pedro queria dizer pedra, lua queria dizer lua — mas parecia uma pedra. E vejo bem e enovelo palavras
à força da analogia, que uma coisa, parecendo-se com outra, pode assumir seu lugar: transladar-se, pois alguém possuindo a cabeça na lua, cabeça de lua, sendo pedra, sendo Pedro,
só poderia desejar uma liberdade satélite.

Num livro, Pedro lera que a lua era uma pedra grande flutuando no espaço e se encantara. Encontrara, num tempo mais que perfeito, a afinidade mágica, admirável, mítica
que marcará seus passos. Existe pois uma predição que predispõe a disposição do menino. A cada noite, vai juntando pedrinhas que ele descobriu terem caído do alto e,
no alto de uma montanha, asila todas juntas para ficarem mais próximas de casa... O esforço do inútil é sempre belo.

No meio do destino de Pedro, uma pedra cruzou
seu caminho: uma tartaruga tão grande e linda quanto
uma lua esverdeada — e seu nome só poderia ser: Lua.
As páginas que seguem, passam por uma história de amizade — ou, se você quiser deixar-se levar, por uma história de
simpatia cósmica, bonita, cinética, dorida: Pedro e Lua.

Palavra&imagem espelham-se, estilisticamente...
As ilustrações e as figuras de linguagem estiram-se,
aproximam antítese e metáfora, alongam nossa leitura.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



» Veja a animação feita por Mauricio Paraguassu

a partir da primeira ilustração do livro.



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