Niki Daly O que tem na panela, Jamela? il. do autor Edições SM, 2007 36 pp. África moderna: uma galinha em fuga adentra o salão de beleza Miss Estilo. Como isso pode ter acontecido? Tudo começou com os preparativos para o almoço de Natal: Gogo, a avó, assaria um pudim, a tia Telma faria arroz com marogo, e Mama, uma galinha. Por isso, ela e Jamela foram até a casa de Dona Zibi e compraram uma franguinha. A menina tornou-se só cuidados e até mesmo batizou a nova moradora do quintal. Com água, milho e amizade, Natal enchia o papo e ia, dia a dia, ficando mais gorda, vermelha e bonita (principalmente, aos olhos de Gogo). Mama se preocupa: como tirar a galinha da filha para metê-la na panela? O escritor e ilustrador sul-africano Niki Daly anima a história de Jamela com seu texto muito simples, pontuado de palavras em africâner, sotho, xhosa e zulu, mais as expressivas ilustrações em aquarela, uma técnica que o permite extrair a pureza de detalhes que rapidamente narram o ambiente e as emoções das personagens, daí resultando, segundo suas palavras, uma impressão de vida. Traços e cores definem um fácil-gosto dócil por sua arte, em um sentido rockwellesque. Mas é interessante observar a variedade de elementos que se misturam, como o apelo da publicidade através do espaço urbano e doméstico, antenas e o cercado bucólico do quintal, barbecue e girassóis, a calunga de pano e a miniatura de Mickey Mouse, a comida típica, penteados rastafari e adereços de papel. Destaca-se também a dupla-página com a representação de um pastoril de Natal na escola da pequena Jamela: Maria carrega o Menino nas costas, como fazem as mães africanas, e um negro José de chapéu e manta basothos. |
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