Cléo Busatto Pedro e o Cruzeiro do Sul il. Renato Alarcão Edições SM, 2006 72 pp. Memória, afetos e saudades. Há também um pouco de pó cósmico nos olhos do menino Pedro: para ver a vida, seus mistérios, para admirar as constelações e suas místicas histórias. E, quando uma cadente corre ao escuro do céu, um desejo forte se ilumina: Quando eu morrer, quero virar estrela. (Silêncio.) Numa noite, no terraço de casa, pai e filho dividem o céu aberto, cada qual com seus pensamentos. Pedro projeta-se para dentro, para as lembranças e as histórias de quem partiu e de quem ficou. Um tio, os quadros de artistas geniais, as exposições que tanto apreciava. A mãe, o abajur, o gato Mel salteador. A tia, as adivinhas que jamais adivinhava, as histórias mal assombradas. O avô, inventor de brinquedos, a avó e as frases difíceis. O pai. E a promessa de escalar as montanhas para ficar mais pertinho do céu, do Cruzeiro do Sul. Cléo Busatto permite ao texto a livre associação de episódios, a partir de uma palavra ou outra que vai evocando as coisas simples e importantes na vida de seu personagem. Segue, pois, atenta ao aroma do chá de capim-limão e outras sutilezas do tempo familiar e das primeiras descobertas, pinçando o que pode existir de universal em uma vivência particular. Por isso, deu voz a Pedro, um narrador fluente-flutuante em primeira pessoa, talvez já adulto, amadurecendo sonhos antigos e cintilações. Há, então, a segunda parte do texto, que encerra as histórias lembradas na história. Trata-se do Caderno das Descobertas do Pedro, compartilhando as coisas que o deixaram de boca aberta, talvez tempos atrás... A linguagem é outra, feita de aprendizagem e informação sobre o surgimento das constelações e galáxias, os mitos de Órion, Faetonte, Andrômeda, lendas de noiva-fantasma e do homem que quis enganar a morte (mas não conseguiu), lado a lado, com as frases difíceis da avó e os quadros geniais apresentados pelo tio... |
| |||
|