Pedro 
 Bartolomeu C. Queirós



Bartolomeu
Campos de Queirós
Pedro

il. Sara Ávila de Oliveira
Miguilim, 1981
Companhia Editora Nacional, 2004
24 pp.


Nas asas de um nome,
Bartolomeu Campos de Queirós inventa um menino:
Pedro, Pierre, Pietro, Peter, Pether, Petrus. São todos
um só e, ao mesmo tempo, seus vários iguais.
E, às voltas com papel, tinta e intenção, em alguma parte
do mundo, o menino pinta o retrato de uma borboleta —
nada mais tão simples de imaginar — fácil de fazer,
não fosse o desejo de captar as cores da perfeição.

Inefável lição sobre o gesto criador,
a beleza de asas bate nas palavras do poeta e voa
à imaginação e sensibilidade do leitor. Tal qual
uma borboleta indescritível, feita de cintilações
de arco-íris ou bolha de sabão, os nomes do personagem
flutam dentro do texto, trocam de lugares, desaparecem,
tornam a aparecer... É um, são vários? E as ilustrações
de Sara Ávila, porque feita de manchas gris, avivam
aquela cor que está perto do amarelo ou depois do azul,
difícil demais para o pensamento guardar.

A linguagem é muito simples,
econômica, até lacônica, mas o tom de imprecisão
enriquece as possibilidades de sentido/sentimento.
É preciso ser um pouco como Petrus, Pether, Peter,
Pietro, Pierre, Pedro (o menino que tinha o coração
cheio de domingo) para adivinhar o equilíbrio entre
o que pesa e o que é leve, entre a presença e a lembrança,
a persistência e uma surpresa à superfície do papel,
no final da história, com seu toque de magia e metáfora.

O efeito é poético, como as cores
que fogem dos olhos do menino.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« A borboleta, notando a atitude do menino pintor, voou para bem perto dele. Isto, para poder se olhar no espelho dos olhos de Pietro e saber se estava pronta. (As borboletas
dos olhos de Pietro são bonitas...) E estava. Estava linda
e em pose de retrato. Era importante para ela... »



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