Leo Cunha Perdido no ciberespaço il. Guto Lins Larousse, 2007 66 pp. Pela infinita Internet Leo se mete em uma aventura infernal: sim, Leo Cunha! Não exatamente o próprio, mas o seu duplo, o seu pressuposto, o seu outro-eu — aquele que conversa com o leitor e tanta gente confunde com gente. Quero dizer: que os incautos confundem com os vivos. Porque, em literatura, é tudo mesmo uma invenção. Então, o verdadeiro inventou que sua pessoa caiu na rede. E, não sendo peixe, não sabe nadar e grita, berra, esperneia perdido no espaço imenso e virtual. E, enquanto apela por socorro, pela linguagem navega. Onde Leo foi parar? Em que byte, em que bite, pulsa a voz do autor? De que adianta apontar AQUI se esse lugar pode ser LÁ? Onde é que as coisas estão dentro do ciberespaço? Pense bem, você aí, instiga curioso o escritor, Se estou perto, como é que você não me vê? Se estou longe, como é que você me responde? Brincando com a referencialidade das palavras e com referências a outros textos, Leo cunha uma ilusão de presença, como quem emerge lá do fundo da tela, ou da página impressa, para conversar com o leitor. Essa voz, perdida, viaja pela disposição confusa de janelas e browsers superpostos com que nos habituamos habitar dentro do computador. Afinal, estamos aqui, ou lá? É, deste modo, que o projeto gráfico de Guto Lins contempla um barroco de imagens antigas e modernas, como acessadas aleatoriamente. De clique a pique, Leo aceita fazer o download do voculário imposto pelo internetês, mas faz seu upgrade de trocadilhos no monólogo que inventou. Mas agora, meu amigo, não posso mais perder tempo. Tente avisar alguém. Passe talvez um e-mail. Um e-mail não, um e meio, dois, dez, uma centena. Pode passar sem pena. Espante, experimente, espalhe essa mensagem, espalhe depressa essa espuma. |
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