Xipat Oboré!

Luiz Sposito saiu em busca de títulos em uma densa floresta de catálogos para trazer, aos leitores de Dobras da Leitura, obras de autores indígenas.

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  Kaká Wera Jekupé


A terra dos mil povos:
história indígena do Brasil contada por um índio

il. Taísa Borges
Peirópolis, 1998

Kaka Werá Jecupé, índio txucarramãe, nos conta neste livro
o que lhe contavam seus parentes — pais, avós, bisavós e os ancestrais de sua tribo — com a mesma oralidade, conservando a mesma fé. Na virada do milênio, em que se discute a ética e quebram-se velhos paradigmas, é preciso remodelar a visão que temos do povo brasileiro, agregando a ela a noção de que também nós somos uma etnia milenar [...]
Em 'A Terra dos mil povos', o leitor terá a chance de relembrar os valores, a ética, a forma de pensar e de agir
e a natureza do índio.


  Luiz Karai


Massacre indígena guarani:
Jurua reve nhande kuery joguero'a ague

il. Rodrigo Abrahim
DCL, 2007

Os jurua, homens não-índios, preparavam-se para invadir
a tekoa kavure, aldeia indígena.
Um massacre estava para acontecer. No entanto, o pajé teve um sonho revelador e decidiu que seu povo deveria construir uma nova aldeia,
em outro lugar, a tempo de fugir do massacre.
Mas nem todos acreditaram nele.


  Olívio Jekupé


Ajuda do Saci: Kamba'i
il. Rodrigo Abrahim
DCL, 2007

Verá é um kurumi que sonhava
em ir para a escola dos não-índios. Queria aprender tudo que eles sabiam para poder defender o seu povo. E assim aconteceu. Mesmo com todas as diferenças, ele era o melhor aluno da sala. Mas um acidente muda o rumo dessa história [...] em versão bilíngüe, português e guarani, que nos coloca em contato com a determinação e a garra dos índios.

Outros títulos do autor:

Arandu Ymanguare
il. Theo Siqueira (Evoluir Cultural, 2003)

Verá - o contador de histórias
il. crianças guarani (Peirópolis, 2003)

Xereko arandu - a morte de Kreta
il. Maté (Peirópolis, 2003)

Iarandu - o cão falante
il. Olavo Ricardo (Peirópolis, 2002)

O saci verdadeiro
(Eduel)


  Renê Kithãulu


Irakisu
il. das crianças Nambikwáras
Peirópolis, 2002

Renê, representante genuíno do
povo Waikutesu dos Nambikwara, índios que moram em sua maioria
no Estado do Mato Grosso e em uma pequena parte do Estado de Rondônia, nos conta o mito de criação de sua gente, além das histórias narradas às crianças da tribo pelos mais velhos, no finzinho da tarde.


  Yaguarê Yamã


O caçador de histórias
sehay ka’at haríaI

Martins Fontes, 2004

[...] o índio Yaguarê Yamã resgata
a memória ancestral da nação indígena Mawé relembrando as histórias de sua infância, a maioria contada por seu pai, um excelente narrador de aventuras e seu grande inspirador. Quando a makukawa entoava seu canto melancólico na floresta e os sapos coaxavam no ygarapé próximo de onde morávamos, já sabíamos que estava na hora. Aquele era o aviso para uma longa noite de histórias,
e todos corríamos para junto das redes dos mais velhos.


Outros títulos do autor:

Sehaypóri – O livro sagrado
do povo Saterê-Mawé (Peirópolis, 2007)

Puratig, o remo sagrado
il. Queila da Glória e crianças Mawé (Peirópolis, 2001)


  Daniel Munduruku


As serpentes que roubaram
a noite e outros mitos

il. crianças da aldeia Katõ
Peirópolis, 2001

Coletânea de seis histórias contadas pelos velhos Munduruku para suas crianças [que] remetem a temas ou situações voltadas para origens da cultura e da história dos Muduruku, contadas como memória do povo aos jovens para despertar o amor pela sua própria história e cultura.

Outros títulos do autor:

As peripécias do jabuti
il. Ciça Fittipaldi (Mercuryo Jovem, 2007)

Um sonho que não parecia sonho
il. Inez Martins (Caramelo, 2007)

Caçadores de aventuras
(Caramelo, 2006)

Catando piolhos, contando histórias
il. Mate (Brinque-Book, 2006)

O Onça
il. Inez Martins (Caramelo, 2006)

O sumiço da noite
il. Inez Martins (Caramelo, 2006)

Parece que foi ontem
il. Mauricio Negro (Global, 2006)

Os filhos do sangue do céu
il. Rosinha Campos (Landy, 2005)

Sobre piolhos e outros afagos
(Callis, 2005)

Tempo de histórias
Org. Heloisa Prieto (Salamandra, 2005)

A sabedoria das águas
il. Fernando Vilela (Global, 2004)

Contos indigenas brasileiros
il. Rogério Borges (Global, 2004)

Crônicas de São Paulo
(Callis, 2004)

Histórias que eu vivi e gosto de contar
il. Rosinha Campos (Callis, 2004)

Um estranho sonho de futuro
il. Andrés sandoval (FTD, 2004)

Coisas de índio - versão infantil
il. Camila Mesquita (Callis, 2003)

O segredo da chuva
il. Marilda Castanha (Ática, 2003)

O sinal do Pajé
il. Maria do Rosário (Peirópolis, 2003)

Você lembra, pai?
il. Rogério Borges (Global, 2003)

Kabá Darebu
il. Maté (Brinque-Book, 2002)

O diário de Kaxi
il. crianças da aldeia Katõ (Salesiana, 2001 )

Meu vô Apolinário
il. Rogério Borges (Studio Nobel, 2001)

O banquete dos deuses
il. Guilherme Viana (Angra, 2000)

Coisas de índio
(Callis, 1999)

Histórias de indio
il. Laurabeatriz (Cia das Letrinhas, 1996)


Autores indígenas:
  • Daniel Munduruku
  • Kaka Werá Jecupé
  • Luiz Karai
  • Olívio Jekupé
  • Renê Kithãulu
  • Yaguarê Yamã



  • Desde 1995,
    a Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena
    da
    Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade,
    do Ministério da Educação (CGEEI/SECAD/MEC), executa
    um programa de apoio
    à produção, impressão e distribuição de materiais
    didáticos em língua portuguesa, bilíngües ou em línguas indígenas.
    O Brasil apresenta um mosaico de 225 etnias, que falam mais de 180 línguas!

    O programa ganha fundamentação junto a LDB — Lei nº 9.394/1996, que assegura às comunidades indígenas
    a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem, e uma grande representatividade com o Plano Nacional de Educação — Lei 10.172/2001. Desta maneira, inúmeros são os projetos encaminhados e submetidos a uma comissão de avaliação, todos os anos, permitindo que diversas entidades — entre ONGs, universidades, fundações e editoras — compartilhem parcerias para a publicação de livros, dicionários, vídeos e outros materiais voltados para a Educação escolar bilíngüe e intercultural dos povos indígenas.

    Além da recuperação de suas memórias históricas e a reafirmação de suas identidades étnicas, autores indígenas tornam-se cada dias mais conhecidos também de crianças e jovens “juruas” nas escolas brasileiras.

    Além da sensível presença dos autores indígenas no catálogos das editoras, outras ações se voltam para a Década dos Povos Indígenas (2005–2015) proclamada pela UNESCO.

    Um exemplo é
    o Concurso Tamoio
    de Textos de
    Escritores Indígenas
    , promovido, desde 2004, pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ, em parceria com o INBRAPI - Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, através do Núcleo de Escritores e Ilustradores Indígenas – NEII.

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