Alice no país das maravilhas.
O livro mais famoso de Lewis Carroll e narra o sonho de uma garotinha, Alice. Como em todo sonho, nesse também
são quebradas muitas das regras, e essas quebras vão sendo analisadas pela protagonista. Destaca-se, na narrativa,
a figura do Coelho, o qual leva a menina para o poço, e as figuras do jogo de cartas, que se movem loucamente,
imperando o nonsense. Cabe à menina assistir e tentar compreender todo esse jogo, antes que sua irmã
a acorde e a traga de volta para seu próprio ambiente, controlado e conhecido.
O mágico de Oz.

Frank Baum lança O Mágico de Oz, que logo se transforma num dos maiores sucessos editoriais da história.
A protagonista Doroty mora com os tios e é levada por um ciclone do Kansas até a terra de Oz. Passa por inúmeras
provações até descobrir que sempre está nela a possibilidade de voltar para casa. A obra é um hino à confiança
da criança em si mesma. Alice, Doroty e Narizinho adormecem e vivem inúmeras aventuras durante o sono,
só que ao acordarem levam consigo as experiências vividas no sonho.
Reinações de Narizinho.
Publicada em 1920, a obra de Monteiro Lobato prima pela fantasia. É o primeiro texto publicado no Brasil que
assume o discurso infantil, e os adultos respeitam e convivem com as inquietações das crianças. Estas são
protagonistas que se envolvem em muitas aventuras e regressam modificadas. E mais, resolvem os conflitos sem auxílio
dos adultos.
Ou isto ou aquilo.

Cecília Meireles é uma grande poeta brasileira. Em 1964, foi publicado a obra citada que marca a história da poesia
infantil brasileira. Nesse livro, entre outros temas, dúvidas da criança (que também são
do adulto) como compro isto ou guardo, a chácara do Chico Bolacha e muito mais sempre com muita musicalidade. Ao ler,
dá para escutar a musicalidade de fundo. Recentemente, foi reeditada com ilustrações de Tais Linhares pela
Nova Fronteira.
Poesia fora da estante.
É uma antologia de poesias organizada por Vera Aguiar, Sissa Jacoby e Simone Assumpção que reúne textos
de 30 autores selecionados que dão à criança uma boa oportunidade de convívio com textos em versos. Entre
os autores estão Mário Quintana, Vinícius de Moraes, Mário de Andrade, Ferreira Gullar. Há ainda textos
de autores anônimos.
A bolsa amarela.

Lygia Bojunga é a fundadora de um outro jeito de escrever para criança. Ela fala mais explicitamente dos anseios
mais íntimos do leitor. Nessa obra, a autora nos conta dos três desejos de uma menina chamada Raquel: ser adulto,
menino e escritora. A menina é a narradora de sua história, ela assume o discurso e nos conta com mais verdade.
Conta de seus amigos imaginários sempre mantendo o equilíbrio entre a liberdade do imaginário e as restrições do
real.
Indo não sei aonde buscar não sei o quê.
Angela Lago recria o conto de fadas tradicional, apresentando uma princesa autoritária e um pretendente tímido
subvertendo a tradição dos contos clássicos. Seinão, o bobo, acaba surpreendendo a todos e superando aprova imposta
pela princesa. De embrulhado, tornou-se embrulhador e está bem casado com a princesa autoritária que,
de acordo com a visualidade, está apaixonada pelo amado. E, curiosamente, o diabo torna-se adjuvante do demônio.
Seinão alcançou o que desejava porque não desistiu de seu projeto, sonho, ideal, objetivo. Podemos nos inspirar
nesse menino que, em vez de seguir os parâmetros estabelecidos pela maioria, resolveu ir em busca dos seus.
Seinão nos mostra que as que as transformações são possíveis e que até aprendemos com quem menos esperamos,
como o diabo!

Armazém de folclore. 
O folclore brasileiro, com toda a sua riqueza, tem sido um assunto freqüente na obra de Ricardo Azevedo.
Destaco o livro Armazém de folclore por ser um dos primeiros em que o autor adapta manifestações populares
ao público infantil. Nessa obra, encontramos desde receitas culinárias, frases feitas, contos de riso, de
assombração, adivinhas, quadras. É uma atualização da memória popular e que propicia ao leitor tanto riso oriundo
das situações cômicas como também reflexão. Ricardo não só escreve os textos, mas também ilustra imprimindo a marca
do seu traço em todo o projeto gráfico da obra. Vale conferir.
Todo cuidado é pouco!.
Roger Melo escreve e ilustra uma belíssima história circular lembrando a lengalenga. Tudo começa porque Rosa Branca
era vigiada bem de perto pelo jardineiro, que um dia ficou gripado de tanto andar descalço tentando encontrar seus
sapatos, que haviam sido escondidos por um gato, que tinha sido trazido pelo irmão mais novo do jardineiro,
que era casado com Dalva, que havia herdado aquele gato de um tio, que tinha morrido de desgosto de tanto esperar
uma carta de amor que nunca chegou... E por aí vai. Todo cuidado é pouco porque um fato puxa outro até que se descobre
a inconsistência do encadeamento porque o primeiro fato era falso. Aí, a narrativa volta ao ponto de partida
e encerra exatamente no clímax, desafiando o leitor a resolver o conflito posto. Ilustração e palavra se
complementam e, se o leitor não for esperto, é enredado pela trama gerada pelas duas linguagens.
Abrindo caminho. 
Escrito por Ana Maria Machado e ilustrado por Elisabeth Teixeira, a obra poética abre caminhos para o leitor
jovem sobre o diálogo entre áreas do conhecimento. Parodia a poesia de Carlos Drummond de Andrade, No meio do
caminho, e a música de Tom Jobim, Águas de março, cria um texto esperançoso. Suas ilustres personagens,
Dante (Alighieri), Carlos (Drummond de Andrade), Tom (Jobim), Cris (Cristóvão Colombo), Marco (Polo) e Alberto
(Santos Dumont) encontram suas pedras no meio do caminho, mas elas
são vencidas com a promessa de vida no coração. Este livro, caso a criança não conheça os personagens citados, vai precisar do apoio do adulto para entendê-lo.
Visão das páginas centrais
do especial Folhinha,
com 22 títulos escolhidos
por 17 especialistas.
Você encontra uma lista com
outras obras indicadas, na
Ilustrada da FolhaOnline
|