Maria Amália Camargo Acra de Eon il. Guazzelli Girafinha, 2006 48 pp. Noé construía a boa embarcação para salvar os animais da grande enchente que andava ligeira por chegar. Atarantado, quando tudo estivesse pronto, pensava, o problema será juntá-los de par em par. E como nada além da ordem divina cairia do céu, aceitou prontamente a ajuda de seu tio-avô... Eon (seu nome, Noé virado do avesso, promete) fez bem mais que organizar a bicharada: fez também uma lista de ilustres convidados, coisa melhor, segundo ele, para não esquecer ninguém! Aconteceu, então, que as parelhas não vieram apenas, como Noé estimava, formando um casal de cada espécie. Chegavam arranjados conforme deu na inspiração de Eon! Alguns pela função, otimizando a economia animal: gavião-tesoura e peixe-agulha dispensam qualquer alfaiate, tubarão-martelo e macaco-prego, muito úteis para a marcenaria! E outros mais, aproximados por laços de estranho parentesco: urubu-rei e jacaré-coroa representam a mais alta e pura realeza, mas o que dizer da vaidade do mico-de-topete com uma tartaruga-de-pente? Os critérios de Eon foram tão originais quanto os esforços da autora para criar suas galerias. Maria Amália Camargo deve andar por aí com uma cadernetinha na mão, anotando nomes de coisas reais e outras inventadas para suas listas de mirabolações. Ela nem mesmo permite que fiquem, de fora da arca, o rato de biblioteca e a macaca de auditório, pois gosta de uma bela confusão. Depois, ordena cor, flor, fruta, fantasia (e bichos igualmente) em versos enumerativos, dísticos que são de rimas fáceis, seguidinhas umas às outras. Na ilustração, Eloar Guazzelli, premiado em diversos salões de humor, traz para o texto o traço dos quadrinhos, com olhares aqui e ali, ora entendiados, ora espivetados, ora buscando a cumplicidade do leitor. Ora, ora. |
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