Bartolomeu Campos de Queirós Somos todos igualzinhos il. Guto Lacaz Global, 2006 16 pp. Um brinco mimosinho Bartolomeu escreve com estrofes e versinhos, quase todos igualzinhos. E vai rimando piadinho a sorte da pintinha de fitinha e do pintinho amarelinho, naquele terreirinho onde todos igualzinhos repetem a mesma vidinha. Oh dia, oh noitinha! O brinco, tipo especial de parlenda, corre bem afinadinha, assim efeitada com tantos diminutivos, criando eco no ouvido e uma alegre travalíngua no biquinho do leitor. A galinha, mãe do pintinho, é comadrinha da galinha-mãe da pintinha e são também companheirinhos os compadres e paizinhos da pintinha sem dentinho mais o pintinho banguelinho. Mas cuidado quem pensa que é espertinho e julga sempre primeiro: que livro é esse mais bobinho? Quando percebemos, estamos já enroladinhos, achando graça nessa historinha à toa num texto que escoa bonitinho. No entanto, Bartolomeu engana o bobo na casca do ovo, bem direitinho, advertindo os leitores pequenos e também os mais grandinhos, só no último instante, com seu recadinho: que é uma historinha chatinha, mas muito verdadeirinha. Guto Lacaz, com design bem limpinho, econômico nas formas do pintinho e da pintinha que tem fitinha fininha, por fim, bota o novo no padrão da repetição. Do livro para a leitura da vida, que também se repete inteirinha, o farelinho poético alimenta uma inquietação. Livrinho infantil? Não. Literatura. |
| |||
|