Griselma Espantalhos il. Márcia Széliga Noovha América, 2006 24pp. Essa bruxinha, nascida em pleno século XVII, adora divertir-se com os camponeses, pregando-lhes peças... Mas, a rotina de assustar as pessoas também cansa, ou melhor, a rotina de assustar as mesmas pessoas, sempre. Por isso, ela convoca o Conselho das Bruxas para anunciar sua decisão: viver no século XXI. E o que poderia ser um desconjuro de sorte é um aceite sem qualquer maldade: "Seja feliz, queridinha!" No entanto, quando Griselma aterrisa em nosso tempo, quem realmente leva um susto é... Ela! E é um susto atrás do outro com as motocicletas, as sirenes, a vida dos desabrigados debaixo das pontes, com as crianças que não mais se interessam pelas brincadeiras de rua, cravando olhos e mentes diante do computador e seus jogos... Marciano Vasquez retira a personagem do velho mundo de fantasia e fascínio possíveis, arremessando-a ao encontro dos problemas da sociedade confusa de nosso tempo — um mundo que perdeu sua poesia e pede por socorro. Com efeito, o autor (que sabíamos poeta) também despede a poesia de seu texto, narrando, atropeladamente, os atropelos que desfazem as prentensões e toda a alegria de Griselma. Marciano prefere a linguagem referencial, imediata, e apenas faz uso de uma flor simbolizando tudo o que há para ser cuidado. Em cada página do livro, veja, mora uma aflição. Existiria, afinal, algum lugar, fora das cidades, onde ela estaria em paz para atormentar as pessoas? A resposta, infelizmente, é definitiva: não! E, para piorar a situação, o antigo Tratado Internacional das Bruxas ditava que um viajante do tempo jamais poderia regressar... Pobre Griselma! No entanto, tem bruxa que é mesmo fada e antigas leis se prestam a melhorias e emendas. Quem vem lá para salvar Griselma? |
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