Mary Hoffman 
 Stravaganza, a cidade das máscaras



Mary Hoffman
Stravaganza,
a cidade das máscaras


trad. Nina Horta
il. Peter Bailley

Companhia das Letras, 2004
304 pp.

Um amuleto incomum conduz Lucien por entre dois mundos: durante o dia, o menino
vive em Londres, entediado e enfraquecido por
uma grave doença; no entanto, ao fechar os olhos para dormir, agarrado ao novo presente, um caderno de capa muito bonita, marmorizada com vermelho e roxo misturados em pinceladas fortes, é transportado para o frescor de Bellezza — uma cidade ao sul da Tália que é como um imenso relicário de igrejas com cúpulas de prata reluzente, fontes, pontes, à margem do contorno desenhado por inúmeros canais onde trafegam mândolas e outras embarcações. Ali, Lucien é Luciano, com os cachos negros de seu cabelo,
o sorriso corado, nenhum esmorecimento.

Em pleno século XVI, de uma dimensão paralela,
o jovem descobre que, além dos festejos e fogos de artifício que iluminam Bellezza, trama-se antigas intrigas políticas e assassinatos contra a vida da Duquezza que resiste à aliança com os Di Chimici, que dominam toda região taliana ao
norte da cidade. A novela da escritora inglesa Mary Hoffmann compreende um thriller para a leitura ligeira, interpolando cenas e uma gama muito rica de personagens.
Destaque também para os cartões-postais representados por Bellezza e as ilhas à sua volta: Torrone, Merlino e Burlesca.

Acompanham Luciano, a irrequieta Arianna,
a "Figlia dell’Isola", que muito desejava que as mulheres pudessem igualmente tornar-se mandoleiras na principal escola do ducado e não mais precisassem usar máscara
após os dezesseis anos, e Rodolfo, um homem
de estudos da ciência à magia, senador e amigo íntimo de Sílvia, a Duquezza, e preceptor de Lucien na arte de stravagar entre mundos...

Não obstante, sinais mágicos haviam anunciado a chegada
do jovem do século XXI: doze cartas dispostas em círculo:
o Mágico, a Deusa, a Torre, a Donzela da Primavera,
os grandes trunfos entre os naipes de peixes, aves, salamandras e serpentes, mais a Espada e... a Morte!

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Rodolfo olhou-o
direto nos olhos
por um momento.
— Você
não sabe de nada, não é? Venha comigo que vou
lhe mostrar uma coisa.
Foi andando
até a janela, abriu-a e sem esforço passou suas pernas compridas para o outro lado. Lucien logo
viu que havia uma espécie de jardim lá fora.
Rodolfo fez um sinal e ele pulou a janela também.
Era um oásis
no meio da cidade, muito maior do que o telhado
da casa em que estavam. Estendendia-se a
uma grande distância;
ao longe, Lucien avistou alguns pavões. Vasos
com pequenas árvores,
e flores por todo o lado, enchiam o ar
de perfumes pesados. »





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