Eloí Elisabet Bocheco A chave que o vaga-lume alumiou il. Mari Ines Piekas Paulinas, 2006 24pp. Com leveza de vaga-lumes nas palavras, Eloí acende a paisagem do Ribeirão do Araçá onde brinca a bruxinha Elisa. Os pequenos brilham aqui, ali, acolá e ela não se cansa, tentando pegar a ligeireza do vôo... Até que um dia, um vaga-lume vaga-longe e leva a menina a encontrar a chave mágica que abre três portas de um vale encantado. Atrás de cada porta, um segredo, uma adivinha, um feitiço que Elisa diligentemente desvenda, adivinha, desata — e assim vai abrindo o caminho de suas próprias aventuras até alcançar, lá em cima do morro, a casa com quartos muito arrumados onde mora... Eloí Elisabet Bocheco fecha o baú de histórias da bruxinha Elisa, com este terceiro livro, após O pacote que tava no pote e Contra feitiço, feitiço e meio. As três narrativas possuem uma estrutura acumulativa, dotadas de uma simplicidade sempe suave e sonora: o texto é poesia só, polvilhado de jogos lúdicos com as figuras de linguagem — principalmente, figuras de construção e de harmonia que dão acento e ritmo à voz que conta: há, pois sim, um caprichado trabalho de texto para simples ficar. E o ouvido vai ouvindo, vai indo, vai indo, por estes percursos de repetição... Até que encontra um inustidado quiasma embelezando a descoberta da bruxinha (e dos leitores), quando ela entra na casa, lá em cima do morro. Só então, pensamos: como são belas as histórias de Elisa e, quanta saudade!, a bruxinha começa a deixar pelas paisagens mágicas tão brasileiras por onde passou (e literariamente passeamos), com figueiras, gorgeio de sabiá, margaridas, sagüis, Rainha da Mina D'água, uma andorinha pousada no galho da amoreira, tapetes tecidos com teia de aranha, pardais, tico-ticos e carambola! Este é o mundo de conto de Eloí. Para os pequenos. Só então, compreendemos: que a Elisa cresceu apenas no traço de finas cores de Mari Ines Piekas. Porque, dentro de cada um de nós, ela permanece de um tamanhinho assim e brejeira — e o reencontro é certo, já estava prometido: boa lengalenga é coisa pra ir e querer voltar. |
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