Regina Gulla A pele dos livros il. Gilberto Miadara DCL, 2006 32 pp. Histórias que habitam o fundo mais fundo parecido com o fundo do mar, um dia, acordam com o canto dos galos e voam — explica o vento à menina. Chegam às janelas das pessoas, fazem dormir quem tem insônia, são colhidas por quem as querem escutar. Histórias são também orvalho da memória, lembranças "que penetram na vida de cada um até pelo cheiro de uma goiaba, de uma carambola, pelo furinho de uma meia, pela cor de uma fotografia." A menina pergunta mais, desconfia que sua avó seja um lugar, uma arca, talvez o próprio mar imenso onde as histórias vêm para descansar e acabam ficando, tão gostosa é sua avó — é o que a menina tem para contar mas, agora, cadê o vento? Mergulhando na invenção do próprio pensamento, a menina compõe um retrato de sua avó que só faltaria ser escrita com tinta para ser um livro, pois dona que é dos sonhos bem engomados, passaporte das primeiras aventuras, uma caixa de conversas. Porém, todo mundo sabe como são as folhas dos livros e a avó da menina tem pele toda enrugada, com babadinhos na beirada. Em sua estréia literária, Regina Gulla investe voz, vento, invento e veludo sobre o mistério das palavras, as sugestões afetivas e evocações sinestésicas, com um espírito sem amarras para o lúdico... no entanto, as ilustrações de Miadara quebram o estado de leveza e impõem outra percepção do texto, conduzindo o leitor à roda de muitas caras e figuras em cores muito vivas que só um vento carregado de novidades poderia trazer. |
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