Um garoto chamado Rorbeto 
 Gabriel O Pensador



Gabriel, O Pensador
Um garoto chamado
R o r b e t o


il. Daniel Bueno
Cosac Naify, 2005
56 pp.


Rorbeto fez a letra mais linda, venha ver o que Rorbeto fez... Caso você tenha lido e relido o nome desse garoto
chamado Rorbeto, desconfiando de um erro ou qualquer descuido para uma troca na posição de letras, saiba que
é assim mesmo — e que este detalhe não tem muita importância: serve apenas como despiste. Está certo
que seu pai era atrapalhado, não sabia ler, escrever e
nem falar os nomes direito... Quando o menino nasceu,
o médico logo perguntou qual seria o seu
— de batismo, alcunha e graça — mas, ao que o homem respondeu, ele apressado assim escreveu: Rorbeto.
Então, responda: qual dos três o mais analfabeto?

Não foi o nome estranho que impediu Rorbeto de ser feliz, nem mesmo... Oras, sua infância teve jaboticabeiras,
futebol e pescaria, num povoado distante sem luz, sem gás, onde apenas contou a amizade de quem lá morava,
vivendo como irmãos. E fazendo as contas dos amigos
que mais contavam, do dedão ao dedinho da mão, é que Rorbeto descobriu: já são dois, o pai e a mãe
+ o vira-lata Filé + três camaradas do coração. Seis?!?!

Sim, Gabriel, o Pensador, conta a história de um menino
às voltas com os medos e os anseios para esconder a mão direita, de todos, na escola. Mas esta é justamente sua mão de ouro, apta a contornar com perfeição a letra mais bonita quando aprende a escrever. A diferença não importa à descoberta das qualidades que tem Rorbeto...

E a trama que surpreende, com momentos bem sacados, vem no embalo de rimas — e poderíamos esperar um pouco mais de ritmo no texto. Gabriel Contino, no entanto,
move-se dentro de uma métrica inconstante,
ora falta, ora sobra, um pé aqui, outro acolá.
Daniel Bueno assina as ilustrações feitas a partir de "samplers visuais" de antigos materiais escolares —
suas colagens, utilizando papel quadriculado, folhas pautadas, caderno de linha azul, mapas, no fundo e em contraste com silhuetas e outras texturas — possuem o efeito semelhante ao design e a arte gráfica do construtivismo russo.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura

Selo FNLIJ 2005
Altamente Recomendável
Prêmio Jabuti 2006
— Melhor Livro Infantil

« Mas a professora, encucada, / Falou:
"O que é isso, garoto? / Tentando escrever com
a esquerda? / Eu sei que você não é canhoto! / Então tira a mão
desse saco / E faz logo
a letra na folha." /
Rorbeto obedeceu
no ato, / Pois viu que
não tinha outra escolha.

Pensou que
se fosse ligeiro /
ninguém ficaria contando / Os dedos de sua mãozinha, / pra ver que ela tinha um sobrando. »

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