A mágica da flauta 
 Rita Nasser



Rita Nasser
A mágica da flauta

il. Gustavo Machado
Paulinas, 1998
12 pp.

Quando triste,
Ernesto toca flauta e tudo se encanta a sua volta:
os brinquedos, suas roupas, seus sapatos dançam
com o canto mágico de seu instrumento — ou seria
com a música que existe dentro de si?

De maneira muito simples, Rita Nasser narra
a relação de amizade entre avô e neto, cada um
em seu apartamento, e os sonhos do menino em ter
uma casa bem grande em que ambos possam morar juntos.
E é aí que a dúvida se insinua...
Será preciso tocar muito para encher
uma casa grande, imensa, com música? Só mesmo o avô para levá-lo ao museu
e tirar a prova dos nove: ao som de sua música,
os quadros sorriem, os objetos sapateiam e
as estátuas, mais leves, bailam pelo saguão.

Mágicas afinações habitam a literatura e
o imaginário dos povos, desde tempos imemorais,
como a lira que faz pedras e feras moverem-se
com amabilidade, no mito de Orfeu.
Flautas mágicas revelam intrigas e verdades,
no conto do osso que assobia,
conduzem ratos e crianças para lugares distantes,
na lenda de Hamelin,
encanta viventes e ameniza os medos,
na famosa ópera de Mozart... e aqui,
de onde vem esse som? Nas edulcoradas ilustrações,
um anjo rechonchudo e ruivo carrega a flauta do céu
a Terra, para o quarto do menino Ernesto.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Ernesto também era o nome de seu avô, que morava no andar de cima. Ernesto neto, não gostava de viver em apartamento. Sonhava que um dia, seu pai, um funcionário público, iria comprar uma casa imensa, cheia de jardins e quartos para ele encher de música.
Mas — pensava ele —, se a casa for muito grande terei de tocar o dia todo? »


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