Gigantes também nascem pequenos 
 Regina Chamlian e Helena Alexandrino



Regina Chamlian

Gigantes também
nascem pequenos


il. Helena Alexandrino
Edições SM, 2006
128 pp.


Panquecas, panquecas docinhas vende Favo-de-Mel, empurrando seu carrinho estrada fora. Ele usa sandálias de couro, chapelão de palha de abas largas e um macacão cheio de bolsos, onde guarda binóculos, lanterna, alicate e uma porção de coisas mais. Seu coração é alegre e generoso, porém guarda um antigo desafeto. Mas, agora, ele precisa novamente da companhia e da paciência de Serelepe Cereja... Favo-de-Mel é um anão que, um dia, se vê às voltas com uma tremenda tarefa: cuidar de Mindinho, um menino gigante que acabara de perder o pai e a mãe, vítimas do brutamontes e facínora Zarrão Grandalhão.

Numa terra de fantasia, onde
medos, desejos e sentimentos são puramente reais,
Mindinho e seus novos companheiros empreendem
uma viagem ao extremo do mundo como vem acontecer
nos contos tradicionais, bem sacados os elementos mágicos e arranjados em uma estrutura de aventuras.
Eles voam às costas do gavião Penacho, atravessam
o "lado errado" da floresta, habitado por criaturas misteriosas, adentram a caverna da Tartaravó em busca de respostas, enfrentam a frondosa e temperamental Folhuda, encontram-se com o cervo Feiticeiro, com a Coisa-que-Morde guardando o portão do castelo além das nuvens...

Com leve linguagem, Regina Chamlian descreve sabiamente os detalhes necessários para ação e dá a cada personagem um caráter próprio, uma história de fundo só sua.
Os cenários aqui se movem com ritmo,
aconchengando a leitura, evocando e ampliando
o mapa dos lugares imaginários que conhecemos.
Há igualmente um sopro de intertextualidade:
Favo-de-Mel tem, em seus bolsos, um alicate de bico fino "para arrancar espinhos espetados nas patas dos animais";
na biblioteca dos velhos reis, encontra-se um volume
de Vida e morte de João-pé-de-feijão; e mais:
a toalha-da-mesa-farta, a flauta-da-alegre-melodia,
a fuga magnífica no veloz cavalo-da-crina-ao vento...
E, sem concorrer com a imaginação,
ao longo do texto, o traço de Helena Alexandrino
permanece elegante e discreto. Néctar.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Nossos heróis
andavam ligeiro pela floresta escura. Gargralha trazia o gato de pano bem junto ao peito. Favo se perguntava se Serelepe estaria bem. Por que tivera ela a tresloucada idéia de se meter na fortaleza do mais perigoso gigante das redondezas? Mindinho não desgrudava os olhos dos vaga-lumes.
Horas mais tarde, noite alta ainda,
os vagalumes tomaram um trilha que foi desembocar no sopé de uma montanha. Então, jogaram-se contra
um buraco escuro,
e sumiram lá dentro.
Tinha chegado.
Para alegria
de seus corações aflitos, Mindinho, Favo-de-Mel e Gargralha finalmente entraram na caverna
de Tartaravó. »


Outros livros de
Regina Chamlian e
Helena Alexandrino

na Vitrine Literária

ir para

comprar

voltar