Lis no peito 
 Jorge Miguel Marinho





Jorge Miguel Marinho
Lis no peito:
um livro que pede perdão


Biruta, 2005





Um romance que, tal como as obras da autora homenageada, a gente quer ler todo de uma só vez, ao mesmo tempo em que é obrigada a parar para sorver as palavras, materializar os sentimentos em sensação física, perceber o escorrer do insight, fruir e se apossar do que está escrito. Jorge Miguel Marinho consegue criar personagens complexos vivendo uma adolescência inquieta, turbulenta, frágil, delicadamente doce-amarga. E faz seu protagonista viver, sentir, amar, compreender e dar sentido à vida através das realidades criadas pela ficção de Clarice Lispector, aproximando de maneira sedutora leitura-escrita-literatura-autor e leitor, no singular e no plural. São textos dentro do novo texto, um hipertexto que toma posse, impetuosa e carinhosamente, do que ama, re-escritura sensível que ajuda o leitor a se sentir igual a alguém que, escrevendo, confessava que se sentia carente e desarmada. Forte, sofrido, denso: Liz no peito é um romance com as mesmas qualidades dos jovens aos 17 anos. E com a delicadeza de alguém que sabe viver amorosa e intensamente a escrita e a leitura literárias. O projeto gráfico do livro também é cuidadoso e bem sucedido: capa, páginas coloridas anunciando mudança de capítulo, cor diferente nas linhas iniciais, tipo de bom tamanho. — Tânia Piacentini


Comentários de
Tânia Piacentini
e Peter O'Sagae


Prêmio FNLIJ 2006
— O Melhor Jovem
1º Lugar Prêmio Jabuti
— Melhor Livro Juvenil

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Lis no peito transborda o vão silencioso da leitura, replicando os mistérios da vida e da criação ficcional: o que existe dentro das pessoas, dentro das palavras? Um escritor que lê a paixão de Marco Antônio, o jovem amigo que lê Clarice, a autora, pela paixão de Clarice, a menina...

« Estranho que ele andava sempre para algum lugar, apenas andando por andar.
No caso de Clarice,
o engraçado é que ela não sabia nadar. »
E o leitor: fora do livro, capaz de reconhecer os diversos fragmentos de sua adolescência e os planos da escritura: então, mescla-se ao texto: pois é doce: deixa-se iludir por esta narrativa rarefeita. Porém, ardente, tensa. É preciso saber como prolongar a espera do primeiro beijo, a felicidade clandestina de espiar-se na urgência de ler para compreender o que é viver sempre às vésperas. Contar essa emoção e essa descoberta: ouvir um claro calor. E à sombra fresca de um crime que temos que julgar, voa o discurso através de um irresistível espelho literário, capaz de seduzir o menos interessado dos leitores. Com agonia, sutilezas: densidade e anagramas: elementos que permanecem à pele da página, como cicatriz e perdão. — Peter O'Sagae

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