Um romance que, tal como as obras da autora homenageada, a gente quer ler todo de uma só vez, ao mesmo
tempo em que é obrigada a parar para sorver as palavras, materializar os sentimentos em sensação física,
perceber o escorrer do
insight, fruir e se apossar do que está escrito. Jorge Miguel Marinho consegue
criar personagens complexos vivendo uma adolescência inquieta, turbulenta, frágil, delicadamente doce-amarga.
E faz seu protagonista viver, sentir, amar, compreender e dar sentido à vida através das realidades criadas
pela ficção de Clarice Lispector, aproximando de maneira sedutora leitura-escrita-literatura-autor e leitor,
no singular e no plural. São textos dentro do novo texto, um hipertexto que toma posse, impetuosa e
carinhosamente, do que ama, re-escritura sensível que ajuda o leitor a se sentir igual a alguém que,
escrevendo, confessava que se sentia carente e desarmada. Forte, sofrido, denso:
Liz no peito
é um romance com as mesmas qualidades dos jovens aos 17 anos. E com a delicadeza de alguém que sabe viver
amorosa e intensamente a escrita e a leitura literárias. O projeto gráfico do livro também é cuidadoso
e bem sucedido: capa, páginas coloridas anunciando mudança de capítulo, cor diferente nas linhas iniciais,
tipo de bom tamanho.
— Tânia Piacentini