Ponte para Terabítia 
 Katherine Paterson




Katherine Paterson
Ponte para Terabítia

trad. Ana Maria Machado
Moderna, 1999
Salamandra, 2006


Não importa o frio das manhãs
de férias, nem os pés descalços: Jess Aarons se levanta e dispara pelo pasto extenso, quase todo seco e marrom, de coração afogueado, compreendendo como o vento e um balanço certo do corpo poderão ajudá-lo a tornar-se o corredor mais veloz. Jess tem as pernas bem compridas e uma determinação sem igual entre os meninos de 10 anos da Escola Primária do Riacho da Cotovia.
No primeiro dia de volta às aulas, quem cruza
a linha de chegada a sua frente é Leslie Burke:
uma garota, ora essa, que acabara de se mudar para uma casa vizinha naquela comunidade rural. Jess não sabia, mas ali começava uma nova temporada em sua vida.

Leslie e seus pais vieram de Washington. Ninguém
entendia bem o que aquelas pessoas da cidade grande vieram fazer e ali viver. Certamente, era uma gente excêntrica — sem aparelho de televisão —

 Ponte para Terabítia 
 Katherine Paterson
primeira capa da edição brasileira
em uma casa repleta de livros... Mas o fato é aquela garota de cabelos curtos e olhos castanhos brilhantes iria selar, com Jess, uma das amizades mais bonitas que o destino dá — e irá tomar de volta.

À beira da floresta escura,
do outro lado do rio, as palavras de Leslie criam o reino secreto de Terabítia, onde prevalece a paz,
a imaginação, a aprendizagem mútua e a distância das coisas triviais do cotidiano: nem um outro colega, nenhum inimigo, nem a velha professora e nenhuma das quatro irmãs de Jess, invadem o local sagrado onde são soberanos.

Livro ganhador da Medalha John Newbery, conferida
pela Divisão Infantil da Associação de Bibliotecas Americanas, em 1978, e do Prêmio Hans Christian Andersen 1998,
Ponte para Terabítia é uma novela sobre a generosidade e a perseverança. Sob um olhar terno, verista, afetuoso e atento aos detalhes, como é seu próprio discurso, Katherine Paternon aviva o cine-mental de seus leitores com tons de ocre, lavanda, brim e verde que renasce após a chuva.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Percebeu que ela
tinha dito “Jess” uma vez, mas como o ônibus
era muito barulhento,
deu para fazer de conta que não tinha ouvido. Quando chegou a hora
de descer, ele agarrou a mão de May Belle e
a puxou para fora,
o tempo todo consciente de que Leslie
vinha bem atrás.
Mas ela não tentou falar com ele de novo,
nem os seguiu.
Só saiu correndo para a velha casa dos Perkins. Ele não conseguiu
deixar de se virar para ver. Ela corria como se isso fizesse parte
de sua natureza.
Fez com que ele se lembrasse do vôo dos patos selvagens no outono. Tão suave...
A palavra “bonito”
lhe veio à mente, mas
ele a sacudiu para longe,
e tratou de ir
depressa para casa. »



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de Katherine Paterson

vencedora do
Prêmio ALMA 2006
- Astrid Lindgren
Memorial Award

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