Ziraldo 
 Menina Nina


Ziraldo
Menina Nina:
duas razões
para não chorar


il. do autor
Melhoramentos, 2002


Com Menina Nina, Ziraldo vem mais uma vez, através de um diálogo íntimo com o leitor, narrar acontecimentos que inevitavelmente acabam se interpondo na vida de todos nós, como a perda de um ente querido. Escrito para funcionar como uma conversa que um adulto às vezes tem que levar com uma criança sobre um assunto tão delicado como a morte, este livro mexe com emoções profundas de leitores de todas as idades ao expor um tema tão difícil, com tanta delicadeza.

A narrativa se inicia no dia em que Nina nasceu e
com a alegria de sua avó com sua chegada. A partir daí, em linguagem simples, mas bastante poética, Ziraldo envolve
o leitor na história, utilizando acontecimentos diários, aparentemente banais, mas que atestam a participação da avó de Nina em sua vida, e a admiração da neta por ela:
Eu já sei o que vou ser quando crescer.
Vou ser você, Vó Vivi.
(p.22)

A narrativa vai sendo conduzida de forma leve e alegre,
até que surge a dor... Através da morte da avó de Nina e dos questionamentos da neta na tentativa de entender o acontecimento, ocorre, então, uma nítida mudança de ritmo tornando o texto denso. Depois do momento de tensão
pelo sofrimento de Nina perante a morte da avó,
o autor vem justificar o subtítulo do livro, apresentando a Nina e ao leitor duas razões que explicam o não-chorar. Ziraldo conclui a história com maestria, sendo democrático na forma de encarar a morte, não se atendo a uma interpretação religiosa específica, mas sempre trazendo
uma esperança para os que ficam.

As ilustrações desempenham um papel fundamental
no enriquecimento do texto, fazendo uma interlocução com os leitores. Apresentam-se no início grandes e coloridas para demonstrar a alegria da vida; depois, transformam-se na escuridão da noite preparando o leitor para o momento de tristeza que se aproxima. Ao atingir o clímax da história,
as ilustrações se ausentam para que as emoções possam ceder lugar ao livre curso da imaginação. No final do livro,
a ilustração finalmente retorna para enriquecer o texto e, através das opções propostas pelo narrador à Menina Nina, novamente surge a esperança nos corações dos leitores.

Além das ilustrações, devo destacar o projeto gráfico de modo geral. O livro foi editado em formato especial, maior que o padrão, letras grandes, papel e impressão de excelente qualidade, o que proporciona ao leitor um contato visual e tátil que o incentiva a se envolver com a história. O tema que se impõe como atemporal, o texto leve e poético, as ilustrações sintonizadas com o ritmo do texto, tudo isso já é uma boa razão para escolhermos a obra Menina Nina como um livro que desperte o leitor para a beleza da narrativa poética de Ziraldo, cuja produção, sem dúvida, é um marco na literatura infanto-juvenil brasileira.

Comentários de
Adriana Sanches
Belo Horizonte MG

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