Maurício Negro Quem não gosta de fruta é xarope il. do autor Global, 2006 Olha aí, meu leitor: tem frutas que nunca vi, nem mesmo ouvi falar. Mas agora deu para aparecer em livro: no pregão que o Maurício Negro inventou — e, talvez, nenhuma outra forma popular fosse mais atraente para o autor e ilustrador, que também é publicitário, para anunciar frutas e frutos 100% nacionais. E assim, evocando os vendedores ambulantes das feiras e ruas, o longo poema se deixa percorrer por uma melodia de nomes incomuns: pajurá, coité, bilimbi, penão, macaúba, murumuru, grumixama, licuri, camboim, enfim, quase um trava-língua batucado por nosso sotaque tupi. A todo momento, um nome de fruta estala na boca: cajá-manga, urucaba, tucumã, jaracatiá, monguba... Alguns lembram palavras conhecidas, cidade, bairro, peixe, madeira, praia, algum ponto turístico. São frutas realmente não muito fáceis de encontrar, pois escondem-se pelas florestas, cerrados, lavrados, veredas, sertões deste país. E, na ginga dos versos, a malícia típica do comerciante popular, através de sua máximas, advertências e ditos chistosos. Sabecomé, moça bonita não paga, mas também não pega ;-) Nas ilustrações do livro, desfilam mulatos, frutos de nossa terra, e as paisagens típicas da feira urbana, terreiros, tabas, palafitas, o Corcovado, o caudoloso Amazonas... todas as imagens foram feitas com um pirógrafo e coloridas com tínta acrílica e anilina diluída em extrato de banana. Bacana! |
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