Henriqueta Lisboa, org. Antologia de poemas portugueses para a juventude Peirópolis, 2005 Minha leitura desta antologia transcorria, página após página, misto de leitura normal e leitura comprometida, ou seja, a de quem joga em dois campos, lê e analisa ao mesmo tempo. E de repente, ao virar a página, me deparei com a primeira estrofe de um poema que li em voz alta, ou repeti acompanhando as letras, pois as palavras saltaram da minha memória de infância, porque eu as conhecia de cor:
Mas foi a beleza de um poema decorado na escola que me fez superar a seriedade da “leitura obrigatória” de agora, a do leitor votante. E me lembrei do escritor Jorge Luis Borges, no papel de professor de literatura inglesa na universidade argentina: “o que faz um professor é buscar amigos para os estudantes. O fato de que sejam contemporâneos, de que estejam mortos há séculos, de que pertençam a esta ou àquela região, isso é o de menos. O importante é revelar a beleza e só se pode revelar a beleza que alguém sentiu”. E é esta beleza revivida com emoção que me fez indicar a antologia de Henriqueta Lisboa para a premiação desta categoria nova entre os prêmios da FNLIJ: quem sabe não será nela que uma criança ou um jovem encontrará o poeta que se tornará um dos seus clássicos? |
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