Vovó Dragão 
 Thais Linhares




Thaís Linhares
Vovó Dragão

il. da autora
Nova Fronteira, 2005


Em busca de um lugar seguro e secreto, corre uma princesinha de longas tranças perfumadas e flores no cabelo. Corria sempre, costurando sua fuga por entre as árvores da floresta.
Basta olhar para desconfiar que não se trata de uma floresta muito comum, porque das árvores não brotam folhas verdes que, entre estações, despecam castanhas a forrar o chão. Não, são folhas brancas, ou amareladas, de papel escrito: páginas de histórias por onde ela passa, pisa e voa...
Corra, princesa!

Sem medo, ela entra em uma caverna escura
e sussurra, olá, vovó! E uma voz lá do fundo responde amistosa. Por um tempo, a princesa está a salvo,
pode respirar e descansar da perseguição junto de
uma cama coberta por edredons de pena macia... Assim começa a história-homenagem de Thaís Linhares para
sua Vó Mary M. Q. despertando a memória viva
das histórias narradas e ouvidas pela princesa e por todos nós leitores. Por isso mesmo, é uma história de leitura.

Há quanto tempo a literatura explora a aventura
de outros livros, fico a pensar. O conhecimento adquirido desperta a bela adormecida da intertextualidade e oferece um lugar de refúgio para a visão interior. Nesta
pequena obra, a ilustradora experimenta o texto verbal com hábil economia e as imagens em água-forte evocam a emoção literária no presente contínuo das transformações.
O jogo da perseguição está proposto para o leitor que atravessou a floresta da tradição tantas outras vezes.

E a princesa agarra-se aos lençóis para não sumir
como a Tumbelina de Andersen... Vêm, numa bonita seqüência ilustrada, o gigante egoísta de Wilde, o coelho branco de Carrol, a boneca falante de Lobato, o avião de Veríssimo no contorno de 14-bis, uma sereia de asas e escamas que não pertence a nenhum outro lugar. Só aqui. Mas,
de repente, um grito ao longe!
Hora de fugir novamente!

Enquanto a menina corre, que o leitor descubra
uma narrativa redonda, delicada e deliosa de ler.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« A Vovó Dragão
contou uma história,
que fez a princesa ficar pequenininha, do tamanho de um polegar, e ela precisou se agarrar ao travesseiro para não sumir entre os lençóis.
— Legal
essa história, vovó!
Conta outra.
Com a história seguinte, ela virou
um gigante muito egoísta e a cama gemeu
quase quebrando —
mais pelo terrível
mau humor do gigantão do que pelo seu peso.
E vieram
mais histórias... »


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