Sandra Pina 
 Débora: arrumando por dentro




Sandra Pina
Débora: arrumando por dentro

projeto gráfico: Bia Salgueiro
Zit Editora, 2005


Vantagens e desvantagens
de ser filha única
rodam a cabeça de Débora:
ter pais em dedicação exclusiva tira sempre a liberdade e
a autonomia. Ela não pode ir e voltar para a escola sozinha, tem sempre alguém para levar e pegar de carro; sair
sem dar conta de todas as satisfações e... namorar, então, nem pensar! Por isso, Débora sempre imaginou como
seria dividir a vida com um irmão, ou uma irmã!

E, um belo dia, não é isso,
exatamente isso, o que vai acontecer?

No começo, ela curtiu um tudo
e pensou como sua vida poderia ser contada em fatos,
antes e depois da gravidez de sua mãe. Mas, quando Daniel chegou já foi achando que não era bem assim a história ;-)
e as coisas que foram se arranjando, enfim, entraram numa desordem só! Débora sente-se perdida. De minha parte, ainda não consegui definir se estou gostando da minha nova vida cheia de liberdade. Também, não sei o que quero.

E, nesta balança que oscila,
Sandra Pina arremessa o leitor: as vantagens e desvantagens para ser livre para voar. Quer dizer, nem tanto. Mas
já dava para Débora ir pros barzinhos, dividir um chope e ficar (porque namorar é bem monótono, para quem está começando a gostar...). E, em casa, o mundo gira: claro,
em torno do pequeno Daniel. O que Débora sente é abandono, um ciúme que ela mesma não quer confessar.

O moto perpétuo da chateação, um dia, termina
— não sem encrenca e o grande susto de uma adolescente solta na cidade. No fim, a novela revela sua moral
e Débora descobre que o amor dos pais não se acabou
e tem bons motivos para continuar,
sempre, arrumando-se por dentro.

Comentários de
Peter O'Sagae
Dobras da Leitura



« Fui pega de supresa.
A coordenadora me entregou um bilhete de minha mãe mandando eu voltar sozinha pra casa. Era quase um testamento com todas as recomendações de praxe, mais todos os passos que eu tinha que dar da porta do colégio até a de casa. Fiquei atônita! É claro que ela deveria estar muito mal. Da cabeça, inclusive. Nunca tinha feito isso. Meus amigos levaram um susto quando eu disse que ninguém ia me buscar.
Pela primeira vez na vida tomaria um ônibus, sem alguém da família ao meu lado. Confesso que senti uma pontinha de medo.
De qualquer forma,... »


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